Desnutrição crónica em crianças moçambicanas. Foto arquivo
Namachilo (Moçambique), 17 Out (AIM) – O governo da nortenha província de Nampula, a mais populosa de Moçambique, com 6,7 milhões de habitantes, exorta as mais de 70 mil produtoras rurais a empenharem-se na produção alimentar para a promoção da saúde e nutrição das famílias.
O desafio foi lançado, esta quinta-feira, em Namachilo, posto administrativo de Muriaze, distrito de Rapale, na esteira das celebrações do Dia Internacional da Mulher Rural (15) e Dia Mundial da Alimentação (16), pelo director provincial da Agricultura e Pescas, Manuel Chicamisse.
Na província de Nampula, segundo dados oficiais, existem 178.123 produtores familiares, dos quais 71.250, cerca de 40 por cento, são mulheres.
“Queremos promover a diversificação alimentar e fortalecer o empoderamento das mulheres rurais. Entre essas ações destacam-se o apoio técnico, a introdução de culturas resilientes, o acesso a insumos, ao fomento da piscicultura, o encorajamento do cooperativismo e o incentivo financeiro às pequenas indústrias alimentares. Gostaria de agradecer, principalmente as mulheres, por garantirem o processamento da nossa produção agrária e a garantia de que os nutrientes que estão nesses alimentos cheguem a toda a população”, destacou.
Chicamisse adiantou que é desejo do governo local fazer muito mais rumo à alimentação saudável, disponível e acessível de maneira sustentável para todos.
“A segurança alimentar começa no campo, mas se concretiza-se quando cada cidadão assume a responsabilidade de produzir, consumir e preservar com consciência. Deixamos um apelo para que cada um de nós, ao lado da mulher rural, seja também um agente de mudança na promoção de hábitos alimentares saudáveis, na valorização dos produtos locais e na conservação dos recursos naturais”, recomendou.
A fonte reafirmou o compromisso do governo da província de Nampula de continuar a trabalhar de mãos dadas com as comunidades rurais, fortalecendo a agricultura, combatendo a fome e construindo uma província mais próspera, resiliente e muito bem nutrida.
Nampula regista atualmente a mais elevada taxa de desnutrição, 46.7 por cento em mulheres e crianças menores de cinco anos, contra a média nacional que é de 38 por cento.
“Este dia é mais do que uma simples efeméride, é um chamamento à consciência coletiva, um momento de reflexão sobre os desafios e as oportunidades que se colocam diante de nós na luta contra a fome, contra a pobreza e contra a má nutrição. É igualmente um tributo à mulher rural, pilar da produção alimentar e guardiã das sementes, multiplicadora das culturas alimentares e promotora da saúde e nutrição nas famílias moçambicanas, principalmente nas crianças que são as mais afetadas pela desnutrição crônica”, disse.
Segundo as Nações Unidas, até 2023, globalmente, as mulheres representavam cerca de 40 por cento da força de trabalho agrícola, chegando a mais de 50 em certas partes da África e da Ásia.
As Nações Unidas entendem que as mulheres rurais têm menos acesso a uma variedade de recursos, desde direitos à terra e crédito até educação e tecnologia. Embora representem quase quatro em cada dez pessoas na força de trabalho agrícola, elas possuem apenas cerca de 15 por cento das terras agrícolas. Se as mulheres tivessem o mesmo acesso aos recursos produtivos que os homens, a produtividade agrícola poderia aumentar em 20/30 por cento, alimentando de 100 a 150 milhões de pessoas adicionais.
Este ano a efeméride celebrou-se sob o lema “De mãos dadas pelas mulheres rurais”.
Entretanto, o Dia Mundial da Alimentação, celebrado a 16 de Outubro, celebrou-se sob o lema “De mãos dadas por melhores alimentos e um futuro melhor”, sendo assinalado em paralelo com o 80.º aniversário da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
A temática proposta para este ano convida a uma reflexão sobre o papel individual e coletivo de cada um, não só para uma alimentação mais sustentável, como também para o direito à alimentação.
O Dia Mundial da Alimentação vem sendo comemorado desde 1981 e é atualmente celebrado em mais de 150 países como uma importante data para consciencializar a opinião pública sobre questões relativas à nutrição e à alimentação.
(AIM)
Rosa Inguane/dt
