Alimentação escolar para reduzir índices de desnutrição nas crianças
Nampula, (Moçambique), 11 Jul (AIM) – O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, manifesta o seu descontentamento com o actual cenário que coloca o seu território na liderança de casos de desnutrição crónica em Moçambique, em contraste com a abundante produção agrícola.
Este descontentamento foi partilhado pelo governante, quinta-feira (10), no início da I Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio, um evento de dois dias, e que conta com a presença representantes do governo, académicos, investigadores e políticos.
A província de Nampula, a mais populosa de Moçambique, com 6,7 milhões de habitantes, tem a taxa mais alta de desnutrição crónica do país, 46,7 por cento, em crianças menores de cinco anos de idade. Os números de Nampula são igualmente assustadores no que respeita ao baixo peso à nascença, 2,9 por cento e desnutrição aguda, 9,1 por cento.
Nampula tem as taxas mais elevadas de pobreza infantil, sendo que mais de dois milhões de crianças das cerca de 3,5 milhões, portanto 27 por cento, vivencia esta situação.
“Sejamos francos: é difícil aceitar que uma província tão rica em recursos naturais, com tão altos níveis de produção agrícola, continue a constar entre aquelas com os índices mais elevados de desnutrição crónica no país. Essa realidade é dura e preocupante. Mas é também o ponto de partida para uma viragem que queremos começar hoje”, afirmou o governador.
Destacou a importância do tema nutrição ter provocado o engajamento social na província.
“Falar de nutrição é falar também de educação, de saúde, de cultura alimentar, de infra-estruturas, de conhecimento local. É por isso que esta conferência nos orgulha tanto: porque junta todos os saberes e todas as vontades. E porque acreditamos que a ciência, aliada ao compromisso social, pode transformar realidades e mudar destinos”, defendeu.
Em conclusão, Abdula rematou que almeja ver Nampula bem nutrida.
“Queremos políticas públicas mais eficazes, programas mais inclusivos, projectos mais sustentáveis. E queremos, sobretudo, uma Nampula mais bem nutrida, mais saudável e mais forte. Como governos, como cidadãos, como sociedade, em torno de um ideal comum: garantir a todos os nossos concidadãos o direito a uma alimentação digna, saudável e sustentável, livre da desnutrição”.
Por seu turno a secretária executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, (STESAN), Judite Mussácula, recordou que o governo de Moçambique aprovou a primeira política estratégica e o plano de acção em segurança alimentar e nutricional cujo lançamento aconteceu a 20 de Junho último.
“A elaboração da política estratégia de segurança alimentar e nutricional contou com a contribuição de todos os actores da sociedade. Com esta política, em conjunto, podemos perceber a nossa missão, visão e objectivos e de todo segmento da segurança alimentar e nutricional que inicia no distrito com o Conselho Distrital de Segurança Alimentar e Nutricional, na província com o Conselho Provincial de Segurança Alimentar e Nutricional e culmina com o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional”, afirmou.
Judite Mussácula assinalou que, apesar de Moçambique ter um grande potencial produtivo, é assolado por vulnerabilidades persistentes.
“Os impactos recorrentes de eventos climáticos extremos, como ciclones, secas e inundações, afectam de forma directa a produção agrícola, os meios de vida e acesso a alimentos adequados, especialmente nas zonas rurais, deixando as famílias ainda mais vulneráveis”, referiu.
Concluiu afirmando que “neste contexto desafiante, as estatísticas não nos deixam indiferentes, pois 37 por cento das crianças moçambicanas com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. Este número, mais do que um dado técnico, é um alerta moral e político tendo em conta que os níveis continuam muito altos de acordo com os parâmetros aceitáveis de 20 por cento estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, (OMS).
(AIM)
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