Vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), Gabriel Monteiro
Moamba (Moçambique), 19 Jan (AIM) – O vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), Gabriel Monteiro, alertou hoje (19) que Moçambique pode estar perante uma situação de cheias potencialmente mais graves do que as históricas inundações do ano 2000.
O alerta foi lançado numa entrevista concedida à AIM, no distrito da Moamba, província de Maputo, onde o dirigente se encontra a monitorar a situação humanitária resultante das chuvas intensas que fustigam o país.
“Esta situação, comparada a 2000, é um bocado mais grave porque afecta um conjunto de províncias que, em 2000, não tinham sido atingidas”, sublinhou.
Contudo, Monteiro destacou uma diferença crucial que poderá evitar uma catástrofe de maiores proporções: a experiência e a preparação acumuladas pelo INGD e pelo Governo ao longo dos últimos anos.
“A sorte que nós temos, felizmente, é que em 2000 não estávamos assim tão preparados como estamos hoje. É verdade que a magnitude é maior, mas hoje temos mais experiência”, frisou, acrescentando que, sem esta preparação, “seria uma catástrofe”.
Segundo o dirigente, a actual época chuvosa caracteriza-se por precipitações intensas e concentradas num curto espaço de tempo, associadas a uma depressão atmosférica que afectou sobretudo a zona sul do país.
“Estamos com uma época chuvosa anómala, porque dentro deste curto espaço de tempo fomos assolados por esta depressão, que culminou com uma destruição severa”, explicou.
Dados actualizados apontam para um impacto humano e material significativo, com cerca de 232 mil pessoas afectadas, 106 óbitos registados e aproximadamente 26 mil casas destruídas, parcial ou totalmente. As infra-estruturas sociais e económicas também foram severamente afectadas, incluindo estradas, centros de saúde e escolas.
No distrito da Moamba, a situação é descrita como preocupante, embora se registem sinais de boa organização por parte das autoridades locais. Existem centros de acomodação a acolher famílias provenientes de zonas de risco e observa-se uma maior adesão das populações às evacuações preventivas, contrariando resistências registadas em anos anteriores.
“Vejo um distrito bastante empenhado. As pessoas estão a compreender que é necessário sair dos bairros para facilitar a assistência”, afirmou Monteiro.
O vice-presidente do INGD alertou ainda para riscos acrescidos nas próximas semanas, sobretudo com a aproximação do mês de Fevereiro, período crítico de ocorrência de ciclones, e tendo em conta que a África do Sul já se encontra em estado de emergência, situação que pode resultar no aumento do caudal dos rios partilhados.
“Se surgir um ciclone vamos ter uma época nunca vista”, advertiu.
No final, deixou uma mensagem de vigilância máxima. “Não nos podemos acomodar pensando que estamos no fim. A época chuvosa ainda vai a meio e temos de estar preparados para o que vem pela frente”.
(AIM)
Paulino Checo/sg
