Inundação em campos agrícolas. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 21 Jan (AIM) – Cerca de 70 mil hectares com culturas diversas estão totalmente perdidos na presente campanha agrícola, em consequência das cheias, situação que poderá agravar a insegurança alimentar em 11 distritos da província meridional de Gaza.
A situação afecta milhares de produtores, na sua maioria do sector familiar, que desenvolvem a sua actividade ao longo do vale do rio Limpopo, nos distritos de Mapai, Mabalane, Chicualacuala, Massingir, Chongoene, Chókwè, Guijá, Chibuto, Limpopo, Xai-Xai e Bilene.
Os dados foram avançados pela governadora da província de Gaza, Margarida Chongo, que apontou as culturas de milho, abóbora e feijão como as mais afectadas, deixando vastas comunidades rurais em situação de vulnerabilidade alimentar.
Segundo a governadora, os efeitos da perda das culturas já começam a ser sentidos pelas famílias.
“Neste momento que todas as culturas foram devastadas, a população começa a enfrentar escassez de alimentos nas suas casas e isso é um dos desafios, do que temos que dar agora durante este evento. Mesmo depois de baixarem as águas, e com sementes disponiveis, só depois de três meses é que poderão ter alguma coisa na machamba”, avançou.
Por isso, Margarida Chongo acrescentou que o apoio alimentar deverá estender-se por vários meses. “Então, temos cerca de quatro, cinco meses que precisamos assistir esta população não só de Chibuto, mas da província de Gaza porque estão a ficar sem nada”, disse.
A governadora referiu ainda que, ultrapassada a fase crítica das cheias, será necessário apoiar os produtores com sementes para relançar a produção agrícola.
“Neste momento precisamos numa primeira fase dessas sementes principais que são o milho, abóbora e feijão nhemba, para podermos dar a nossa população, nos outros tempos temos estado a mobilizar para eles estarem a vender parte do seu gado para adquirir sementes, mas esse gado também foi embora, falo do gado bovino, caprino, suíno, tudo desapareceu, então é um grande desafio, toda esta população está à espera de um sinal do Governo para poder dar a semente”, afirmou.
Entretanto, nas comunidades afectadas, a escassez de alimentos já é uma realidade. Na aldeia de Cocamissava, em Maleice, distrito de Chibuto, a população manifesta preocupação com a falta de meios de subsistência.
“Tínhamos milho que já tinha começado a sair, no próximo mês podíamos começar a colher, mas do momento não temos nada, ninguém tem milho aqui em Cocamissava”, lamentou o produtor do sector familiar e vítima das cheias na baixa de Cocamissava, Agostinho Tivane.
(AIM)
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