Maputo, 30 de Jan (AIM) – A África afirma-se cada vez mais como um eixo estratégico para a internacionalização da economia italiana atraves das Pequenas e Médias Empresa.
Nesse contexto, a Simest, braço financeiro da Cassa Depositi e Prestiti (CDP), lançou um apelo às pequenas e médias empresas (PME) italianas para reforçarem a sua presença no continente africano, apoiadas por instrumentos financeiros específicos e por uma nova visão de cooperação económica. Escreve AGI.
O destaque vai para o programa “Misura Africa”, que deverá mobilizar mais de 100 milhões de euros em investimentos ao longo de 2024, beneficiando mais de 85 empresas italianas interessadas em expandir ou consolidar operações em África.
O tema esteve no centro do encontro realizado a 29 de Janeiro, em Milão, organizado pela revista Africa e Affari, sob o título “África 2026: Perspectivas políticas e económicas para o continente”. A iniciativa reuniu especialistas, empresários e representantes institucionais para debater o actual quadro africano e as oportunidades económicas até 2026. No mesmo dia, uma conferência paralela em Roma servirá para apresentar o mais recente relatório da revista e aprofundar as oportunidades de investimento para empresas italianas.
Entre os oradores presentes em Milão destacaram-se Fabio Massimo Ballerini, do Gabinete da Missão do Plano Mattei junto da Presidência do Conselho de Ministros; Roberta Rughetti, directora da Amref Health Africa; Duccio Tenti, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); e Simone Nonnis, do departamento de Grandes Fortunas do grupo Mediolanum.
Durante o colóquio, foi dada especial atenção aos instrumentos financeiros colocados à disposição pelo Estado italiano, através das suas participadas, para apoiar a internacionalização empresarial. A “Misura Africa”, promovida pela Simest, obteve luz verde para actuar como mecanismo de garantia e financiamento dos investimentos italianos em África, assegurando condições de maior segurança e estabilidade.
Segundo Viola Di Caccamo, responsável pelas relações externas da Simest, o programa será lançado oficialmente em 2024, em estreita colaboração com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional. “Trata-se de um mecanismo concebido com características específicas para as PME”, explicou, sublinhando que o objectivo é reforçar a presença italiana em África e diversificar os circuitos comerciais.
O programa abrange também empresas integradas nas cadeias de fornecimento de grandes grupos exportadores, permitindo que mesmo as estruturas de menor dimensão beneficiem do apoio financeiro.
Os mecanismos de financiamento cobrem um vasto leque de necessidades empresariais, desde a modernização de equipamentos e capitalização, até às actividades imateriais, inovação e digitalização. “Somos financiadores capazes de acrescentar valor à empresa”, afirmou Di Caccamo, destacando ainda que projectos desenvolvidos por marcas africanas podem beneficiar de subvenções não reembolsáveis até 20%, bem como de isenção de garantias.
A formação profissional surge igualmente como um eixo central da estratégia. “A formação de pessoal africano pode ser financiada”, esclareceu a responsável, salientando que esta componente está plenamente integrada nos projectos apoiados, em consonância com os princípios do Plano Mattei, que aposta numa parceria económica sustentável e de longo prazo entre a Itália e África.
Com a “Misura Africa”, a Simest posiciona-se, assim, como um actor-chave na redefinição das relações económicas euro-africanas, promovendo um modelo de investimento que alia crescimento empresarial, cooperação e desenvolvimento local.
(AIM)
