Ministro moçambicano da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino (direita)
Dubai, 05 Fev (AIM) – A aposta na agricultura industrial e digital passou a marcar a nova estratégia do Governo moçambicano para aumentar o rendimento agrícola, promover uma produção sustentável, proteger o meio ambiente e integrar os pequenos produtores nas cadeias de valor, no quadro da modernização do sector agrário e da adopção de novas tecnologias.
A orientação foi reiterada esta quinta-feira (05), em Dubai, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, à margem da sessão sobre o futuro das energias e das indústrias.
Segundo Albino, a opção por uma agricultura orientada para o mercado, liderada pelo sector privado, não significa o afastamento dos camponeses, mas antes a sua inclusão num modelo económico mais eficiente e inclusivo.
“Estamos a dizer que os camponeses, os produtores de pequena escala, devem ser integrados, para aumentarem os seus rendimentos e contribuírem para o crescimento global do país”, afirmou.
O governante rejeitou a ideia de que a industrialização da agricultura represente uma ameaça ao meio ambiente, defendendo que o seu impacto pode ser positivo quando bem planificado.
“Hoje, para aumentarmos a produção global, apostamos na expansão de áreas, o que leva ao corte de florestas, porque os rendimentos por hectare são baixos. A industrialização permite obter mais produção num espaço mais pequeno e com menos impacto ambiental”, explicou.
Como exemplo, destacou o projecto da barragem de Mapai, na província de Gaza, referindo que a infra-estrutura permitirá concentrar elevados níveis de produção agrícola numa área reduzida.
“Com 200 mil hectares irrigáveis, podemos obter o rendimento que hoje se consegue em cerca de um milhão de hectares com baixos níveis de produtividade”, sublinhou, acrescentando que a barragem permitirá igualmente o controlo das cheias, a produção de energia e a protecção ambiental na bacia do Limpopo.
No domínio da inovação tecnológica, Albino destacou a aposta em soluções agrícolas modernas, incluindo práticas de conservação, uso racional de insumos e tecnologias que dispensam produtos fósseis prejudiciais ao ambiente.
“É possível industrializar a agricultura de forma amiga do meio ambiente. Essa é a nossa abordagem”, frisou.
Relativamente à digitalização, o ministro considerou que Moçambique não pode ficar à margem das tendências globais ligadas às novas tecnologias e à inteligência artificial.
“O mundo está a tornar-se digital e Moçambique tem de ser digital”, disse, recordando a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital como um sinal claro da orientação da governação.
No sector agrário, explicou que a digitalização é fundamental para a integração dos pequenos produtores nas cadeias de valor, para o acesso ao crédito e para o reforço da transparência dos processos.
“Se tivermos plataformas digitais, podemos saber quem é o produtor, onde está localizado e o que produz. Isso torna os processos mais fiscalizáveis e dá confiança a quem financia”, afirmou, acrescentando que os bancos poderão, desta forma, conhecer melhor o sector agrícola.
Referiu ainda o uso crescente de “drones” e outras tecnologias nos processos produtivos, salientando os ganhos em eficiência, segurança e atractividade para a juventude.
“Os jovens aprendem rapidamente a usar estas tecnologias. A agricultura tem de ser moderna, atractiva e geradora de rendimento”, defendeu.
Abordando os impactos das cheias registadas recentemente nas regiões sul e centro do país, Albino reiterou a necessidade de investir em infra-estruturas hídricas, voltando a destacar a barragem de Mapai como prioridade nacional.
“Se a barragem de Mapai estivesse construída, não eliminaria totalmente as cheias, mas reduziria significativamente o seu impacto”, afirmou.
Segundo explicou, o Governo está a trabalhar de forma coordenada entre os sectores da agricultura, das obras públicas e da energia, apostando num projecto integrado de água, energia, segurança alimentar e segurança ambiental.
“O Limpopo não está controlado. Toda a água das chuvas locais e dos países do interior segue directamente para as zonas baixas do Limpopo e do Chókwè. Por isso, a barragem de Mapai constitui uma prioridade nacional”, concluiu.
Importa realçar que o ministro do MAAP partilhou a sessão com o Director-Geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), Gerd Müller.
(AIM)
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