Matola (Moçambique), 22 Abr (AIM) – O Governo moçambicano lançou esta quarta-feira, no município da Matola, província de Maputo, o Lenacapavir, um medicamento injectável de longa duração para a profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), capaz de reduzir em mais de 99 por cento o risco de infecção.
Falando na cerimónia, o Ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, afirmou que a introdução do fármaco constitui um marco no esforço de controlo da epidemia no país.
“Moçambique passa, a partir de hoje, a integrar o grupo dos países pioneiros que disponibilizam aos seus cidadãos um medicamento injectável capaz de reduzir o risco de infecção pelo HIV em mais de 99 por cento”, declarou.
O governante acrescentou que “a introdução do Lenacapavir vem aumentar o leque de opções disponíveis de prevenção combinada do HIV em Moçambique, permitindo aos cidadãos aceder a formas cada vez mais eficazes, seguras e ajustadas às suas necessidades”.
Segundo dados apresentados pelo ministro, em 2024 Moçambique registou cerca de 92 mil novas infecções por HIV, das quais 15 mil ocorreram entre adolescentes e jovens dos 10 aos 19 anos de idade.
O Lenacapavir é administrado por injecção apenas duas vezes por ano e destina-se a pessoas com 15 ou mais anos de idade, desde que testem negativo para o HIV.
Por sua vez, o administrador do distrito da Matola, Gilion Michila, destacou o impacto da iniciativa para as comunidades locais.
“Hoje não será lançado somente um medicamento. Será também aberta uma nova porta para novas possibilidades de protecção, cuidado e esperança”, afirmou.
Michila apelou ainda ao envolvimento da população na prevenção da doença. “Convidamos a nossa população para procurar informações, conversar com os profissionais de saúde e partilhar conhecimentos com familiares e amigos. Cada decisão informada pode mudar uma vida”, disse.
Já a directora nacional adjunta de Saúde Pública, Aleny Couto, considerou o lançamento um marco na resposta ao HIV no país.
Explicou que a introdução do Lenacapavir resulta das lições aprendidas com a implementação do cabotegravir injectável, introduzido em regime piloto em 2024, na província de Nampula.
“As lições aprendidas deste piloto são as que informaram para nós, hoje, trazermos a Moçambique o Lenacapavir”, referiu.
Couto sublinhou ainda que a nova tecnologia deve ser vista como complementar. “O Lenacapavir é mais uma ferramenta que se adiciona às outras formas de prevenção já existentes no país, no âmbito da prevenção combinada”, disse.
A nova opção de prevenção será disponibilizada de forma faseada em 55 unidades sanitárias, abrangendo 15 distritos das províncias da Zambézia, Maputo e Cidade de Maputo, no quadro do reforço da estratégia nacional de prevenção combinada do HIV.
Com esta introdução, Moçambique junta-se a países da região como Eswatini, Zâmbia e Zimbabwe na adopção desta tecnologia inovadora.
(AIM)
SNN/sg
