Jovens moçambicanas
Maputo, 30 Abr (AIM) – A erradicação da fome em Moçambique e no mundo passa necessariamente pela valorização do papel económico e social da mulher, sobretudo daquelas que actuam no sector informal, defendeu hoje, em Maputo, a activista social moçambicana Graça Machel.
Falando durante a mesa-redonda subordinada ao tema “Liderança Feminina e Desenvolvimento Sustentável: Como pode a liderança feminina transformar a governação local para promover a coesão social e o desenvolvimento sustentável em Moçambique e em África?”, Graça Machel sustentou que o envolvimento efectivo das mulheres na economia comunitária pode contribuir, simultaneamente, para a segurança alimentar, redução de conflitos e promoção de um desenvolvimento sustentável.
“A fome só vai ser resolvida quando nós valorizamos a mulher que está no sector informal, a mulher que está no mercado, a mulher que tem também um pequeno negócio, um médio negócio e um grande negócio”, afirmou.
Segundo a activista, Moçambique dispõe de um potencial humano significativo nos cerca de seis milhões de agregados familiares, que, se mobilizados de forma organizada para a produção e participação activa na vida económica, podem desempenhar um papel determinante no combate à fome.
Graça Machel defendeu igualmente que as comunidades devem ter espaço efectivo para se pronunciar sobre os problemas nacionais, numa abordagem que reforce a coesão social e ajude a consolidar uma paz duradoura.
Sobre a construção de uma paz sustentável, considera essencial uma actuação articulada entre comunidades, legislação adequada e instituições nacionais, provinciais e distritais capazes de funcionar de forma harmoniosa em benefício do bem comum.
Por seu turno, a antiga enviada especial da União Africana para Assuntos de Mulheres, Paz e Segurança, Bineta Diop, sublinhou que a participação directa das comunidades é indispensável para garantir estabilidade social e evitar recaídas em conflitos.
“Você pode assinar um tratado de paz e, de repente, começar uma guerra; mas se a comunidade estiver envolvida na assinatura, ela implementa as medidas na base da sociedade. Portanto, é importante que incluamos o diálogo com a comunidade quando falamos de paz, segurança e estabilidade”, afirmou.
A antiga mediadora recordou o caso da guerra civil no Burundi, destacando o papel determinante das mulheres nas negociações que contribuíram para o restabelecimento da paz naquele país.
“No caso do Burundi, descobrimos que era importante que as mulheres liderassem (…) eram os homens, os grupos armados, que conduziam as negociações, sempre”, disse, defendendo maior protagonismo feminino na construção da paz e da estabilidade social.
(AIM)
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