Presidente moçambicano, Daniel Chapo (esquerda) e seu homólogo sul-africano Cyril Ramaphosa (Foto arquivo)
Maputo, 4 Maio (AIM) – Moçambique e a África do Sul estão a intensificar contactos diplomáticos para responder à onda de manifestações e actos xenófobos contra estrangeiros indocumentados naquele país, situação que levou o Presidente da República, Daniel Chapo, a deslocar-se esta terça-feira (5) a Pretoria para um encontro com o seu homólogo daquele país vizinho, Cyril Ramaphosa.
A deslocação de Chapo visa avaliar a situação e buscar soluções conjuntas que garantam uma convivência pacífica, num contexto de crescente tensão em várias cidades sul-africanas, onde comunidades estrangeiras têm sido alvo de protestos e ameaças de expulsão.
A informação foi avançada hoje, em Maputo, pela Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana, Maria de Fátima Manso, que explicou que o Governo acompanha a situação há cerca de duas semanas, após o surgimento de grupos de cidadãos sul-africanos que iniciaram manifestações contra a presença de estrangeiros indocumentados.
Segundo a governante, os actos xenófobos têm ocorrido com maior intensidade na cidade de Durban, visando pressionar as autoridades daquele país a expulsarem estrangeiros sem residência autorizada.
“Como é do conhecimento geral residem na África do Sul, mais de 300 mil imigrantes moçambicanos que neste momento delicado enfrentam terror, medo e incerteza quanto ao seu futuro”, disse.
Referiu que, apesar do ambiente de tensão, a Embaixada de Moçambique na África do Sul, em particular o Alto Comissariado, não registou até ao momento óbitos, agressões físicas ou perda de bens de cidadãos moçambicanos resultantes destas manifestações.
Manso sublinhou que, nos últimos dias, circulam nas redes sociais mensagens a convocar protestos para as cidades de Cape Town, Joanesburgo, Pretoria e Durban, facto que elevou o nível de alerta das autoridades.
As Forças de Defesa e Segurança, em coordenação com a polícia sul-africana, estão a monitorar a situação, prevendo-se o reforço do contingente policial e militar para conter as manifestações e evitar surtos de violência.
Entretanto, o Executivo moçambicano instruiu as missões diplomáticas e consulares na África do Sul a reforçarem a assistência e protecção aos cidadãos moçambicanos residentes naquele país.
“Face a situação, os governos de Moçambique e da África do Sul, estão em contacto regular com vista a debelar o impacto destas manifestações, neste sentido o Presidente da República, Daniel Chapo, desloca-se amanhã (5) a Pretória, República da África do Sul a fim de avaliar com o seu homólogo, Presidente Cyiril Ramaphosa, a presente situação e buscar soluções que conduzam a uma convivência pacífica”, disse.
Por outro lado, o Governo moçambicano está a criar condições junto à fronteira de Ressano Garcia para acolher cidadãos nacionais que, por razões de segurança, queiram regressar ao país.
“No espírito de boa vizinhança, amizade, irmandades histórica existente entre os povos moçambicano e sul-africano, apelamos ao governo da África do Sul que garanta a protecção e segurança dos concidadãos e demais africanos residentes na África do Sul”, disse.
Além dos moçambicanos, comunidades zimbabweanas, malawianas, ganesas, nigerianas e somalis figuram entre os grupos estrangeiros afectados pelo clima de hostilidade.
(AIM)
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