Maputo, 01 Jul (AIM) – O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, anunciou hoje, em Maputo, a disponibilidade de 75 milhões de dólares norte-americanos para financiar a aquisição de sementes certificadas no âmbito da campanha agrária 2026/27.
A verba vai garantir um mercado previsível ao sector privado e incentivar o aumento da produção nacional.
Falando na abertura da Reunião Nacional de Sementes, subordinada ao lema “Semente de Qualidade, Garante do Aumento da Produção e Produtividade”, afirmou que o governo pretende garantir estabilidade na procura de sementes e estimular o investimento privado no sector.
Segundo explicou, os recursos serão canalizados para a aquisição de sementes de culturas alimentares estratégicas, nomeadamente milho, arroz e feijão, através de mecanismos de financiamento aos produtores, assegurando que os fundos não sejam desviados para outras finalidades.
“Há dinheiro que só pode ser usado para comprar sementes. Queremos dar ao sector privado a garantia de que existe mercado para produzir em quantidade e com qualidade”, afirmou.
O governante recordou que as cheias registadas este ano expuseram fragilidades na produção nacional, tendo o país recorrido em grande medida à importação de sementes.
“Chegámos a ter dinheiro, mas não encontrámos sementes suficientes no mercado nacional”, disse, sublinhando que cerca de 80 por cento das sementes distribuídas em resposta à emergência foram importadas.
Perante este cenário, o ministro apelou ao sector privado para expandir a produção nacional, garantindo previsibilidade de mercado até 2030.
Advertiu igualmente que o mercado de sementes deve funcionar com base na concorrência e na relação entre oferta e procura, rejeitando práticas especulativas na formação de preços.
O governante anunciou ainda que o sistema nacional de rastreabilidade e certificação de sementes deverá entrar em funcionamento até Setembro próximo, como forma de reforçar o controlo de qualidade e combater a circulação de sementes falsas.
Na mesma ocasião, a representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em Moçambique, Cláudia Perreira, destacou a importância da semente como base da produção agrícola.
“A semente é o primeiro elo da cadeia produtiva. Sem semente de qualidade, os agricultores não conseguem tirar pleno partido das boas práticas agrícolas, da irrigação, da mecanização ou das tecnologias inteligentes face ao clima. Em suma, sem boas sementes, os investimentos na agricultura produzem retornos limitados”, afirmou.
Alertou que o contexto actual exige maior atenção ao reforço do sistema nacional de sementes.
“Num contexto de crescente vulnerabilidade às alterações climáticas, de expansão de pragas e doenças e de maior pressão sobre os sistemas agroalimentares, reforçar o Sistema Nacional de Sementes não é apenas uma prioridade agrícola. É uma condição para aumentar a produtividade, melhorar, reforçar a resiliência e melhorar a segurança alimentar e nutricional”, disse.
A FAO reafirmou o compromisso de continuar a apoiar o Governo de Moçambique e os diferentes actores do sector na consolidação de um sistema nacional de sementes mais eficiente, resiliente e inclusivo.
A reunião contou ainda com intervenções de outros parceiros de desenvolvimento e actores do sector, que defenderam o reforço da coordenação institucional, melhoria do quadro legal e aumento da produção nacional de sementes certificadas.
(AIM)
SNN/pc
