Maputo, 13 Jul (AIM) – O governo moçambicano lançou a Escola de Saúde Pública (ESP) para transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis às comunidades.
O facto será concretizado através da formação especializada, investigação e inovação orientadas para os desafios actuais e futuros do Sistema Nacional de Saúde (SNS).
“Uma resposta eficiente e eficaz aos desafios contemporâneos de saúde pública exige uma força de trabalho técnica e cientificamente habilitada”, disse, hoje (13), em Maputo, a Primeira-Ministra, Maria Benvinda Delfina Levi, durante a cerimónia de lançamento da instituição.
Acrescentou que a instituição “exige profissionais permanentemente actualizados, capazes de analisar evidências, liderar equipas e transformar conhecimento em soluções aplicáveis às comunidades”.
Segundo Levi, a criação da Escola representa uma conquista relevante para Moçambique e constitui uma aposta estratégica no desenvolvimento do capital humano, num momento em que o país enfrenta mudanças profundas no perfil das doenças, na dinâmica populacional e na evolução tecnológica do sector da saúde.
A Primeira-Ministra explicou que Moçambique vive uma rápida transição epidemiológica, caracterizada pelo aumento do peso das doenças crónicas não transmissíveis e do trauma, num contexto em que as doenças infecciosas continuam a representar um importante desafio para o Sistema Nacional de Saúde (SNS).
“Estas transformações epidemiológicas e demográficas têm um impacto profundo no nosso Sistema Nacional de Saúde. Exigem maior capacidade de previsão, planeamento e resposta. Exigem profissionais preparados para compreender realidades complexas e agir com rigor, rapidez e sensibilidade social”, disse.
Para Levi, a resposta aos desafios actuais da saúde pública passa pela existência de quadros altamente qualificados, capazes de produzir e utilizar conhecimento científico na definição de políticas, gestão dos serviços e melhoria dos cuidados prestados às populações.
A Escola de Saúde Pública foi criada com o objectivo de acelerar a formação especializada e pós-graduado de profissionais de saúde em diversas áreas do saber, em parceria com instituições de ensino superior nacionais e internacionais.
A instituição vai disponibilizar cursos de curta duração em saúde pública e áreas afins, bem como programas de mestrado e doutoramento em áreas consideradas estratégicas, incluindo Sistemas de Saúde, Ciências de Saúde, Saúde Digital, Economia de Saúde, Clima e Saúde e Educação Profissional em Saúde.
Segundo a Primeira-Ministra, estas áreas permitirão formar profissionais capazes de “planear, prevenir, inovar e decidir com base em evidência científica”, respondendo directamente aos desafios que afectam o sector.
Levi destacou, igualmente, a aposta da Escola na transformação digital.
Explicou que a instituição dispõe de laboratórios e equipamentos digitais que permitirão realizar formação virtual e alcançar profissionais que trabalham em diferentes regiões do país.
“A transformação digital deve ser uma ferramenta para aproximar os serviços dos cidadãos, melhorar as decisões e reduzir desigualdades e nunca uma nova barreira para quem mais precisa”, afirmou.
A Primeira-Ministra disse que a nova instituição pretende afirmar-se como um centro de excelência, investigação, debate e inovação, onde o conhecimento produzido responda a problemas reais e contribua para melhorar a qualidade de vida da população.
“Pretendemos que seja um centro de investigação, de debate e de inovação. Um lugar onde o conhecimento produzido responda a problemas reais e contribua para melhorar a qualidade de vida da nossa população”, sublinhou.
Para Levi, este reconhecimento “honra Moçambique” e reforça a responsabilidade do país em assegurar uma formação de qualidade e contribuir para o fortalecimento dos sistemas de saúde dos países africanos de língua portuguesa.
A Primeira-Ministra reconheceu o papel da cooperação internacional na concretização da Escola, destacando o apoio técnico do Governo brasileiro, através da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), bem como a contribuição de parceiros como as Nações Unidas, Fundo Global, Banco Mundial, Cooperação Espanhola e Governo dos Estados Unidos da América.
Segundo Levi, a criação da Escola demonstra que “uma visão clara, acompanhada de parceria e perseverança, pode tornar-se uma instituição ao serviço do país”.
(AIM)
SNN/mz
