Maputo, 16 Jul (AIM) – O Microbanco Sólido, em coordenação com o Município de Maputo, iniciou hoje, em Maputo, uma campanha de promoção da inclusão financeira junto de vendedores dos mercados formais e informais.
A acção tem como objectivo integrar mais cidadãos no sistema bancário e dinamizar a economia local.
Durante uma visita ao Mercado Central, o director executivo (CEO) do Microbanco Sólido, Gerson Tembe, afirmou que a iniciativa pretende aproximar os serviços bancários dos pequenos empreendedores e conhecer as suas reais necessidades.
“A inclusão financeira não se faz a partir do escritório. Estamos aqui com a equipa e a administração do banco para trabalhar directamente com os vendedores e compreender as necessidades da população”, afirmou.
Tembe sublinhou que o sector informal representa uma parte importante da economia nacional e defendeu a sua integração gradual no sistema financeiro formal como factor de desenvolvimento.
No decurso da acção, o banco sensibilizou vendedores, incluindo aqueles sem registo formal, sobre as vantagens da bancarização, do acesso ao crédito e da literacia financeira. Segundo Tembe, os financiamentos serão atribuídos de acordo com a dimensão e capacidade de cada negócio.
“Não haverá um montante fixo. O crédito será concedido conforme a realidade de cada cliente”, explicou.
Por seu turno, o director municipal de Mercados e Feiras, Arnaldo Monteiro, saudou a iniciativa, considerando que poderá contribuir para a recuperação e expansão dos pequenos negócios.
“Como município, acolhemos esta iniciativa porque pode ajudar os vendedores a desenvolverem as suas actividades e a fortalecerem os seus negócios”, disse.
Monteiro reconheceu que muitos comerciantes enfrentam dificuldades devido às perdas registadas nos últimos tempos, defendendo que o acesso ao financiamento poderá impulsionar a retoma da actividade comercial.
Referindo-se ao sector informal, admitiu existirem desafios na identificação e acompanhamento dos beneficiários, mas defendeu uma abordagem inclusiva.
“A venda informal é mais delicada, mas não deve ser excluída. Muitos jovens encontram nesta actividade uma alternativa de rendimento”, afirmou, acrescentando que a iniciativa poderá facilitar a transição destes operadores para o sector formal.
O responsável revelou ainda que o município continua a trabalhar com o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) na mobilização dos vendedores informais para aderirem ao sistema de protecção social, sem avançar dados actualizados.
Entre os vendedores, a iniciativa foi recebida com optimismo. Verónica Chabela, comerciante no Mercado Central, considerou que o acesso aos serviços financeiros poderá reforçar o crescimento do seu negócio.
“Sinto-me muito feliz. Este apoio pode mudar muita coisa e fortalecer ainda mais o meu negócio”, afirmou.
Segundo a comerciante, o comércio permitiu-lhe sustentar a família e financiar a formação superior de duas filhas.
“Com este negócio consegui formar duas filhas na universidade. Ainda tenho a mais nova e acredito que, com este apoio, poderei crescer ainda mais”, disse.
Monteiro destacou igualmente as melhorias introduzidas no Mercado Central, com destaque para a requalificação do mercado de peixe, agora equipado com melhores infra-estruturas para conservação e comercialização dos produtos, beneficiando vendedores e consumidores.
