A petroquímica italiana ENI, reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento do conteúdo local em Mocambique, defendendo que os investimentos em curso na província de Cabo Delgado, zona norte, devem gerar benefícios concretos para as empresas nacionais, criar emprego qualificado e fortalecer a economia moçambicana.
A posição foi apresentada hoje, em Maputo, pela directora da ENI em Moçambique, Marica Calabrese, durante o Mozambique CEO Summit, evento que reuniu vários CEOs nacionais e estrangeiros.
“O sucesso das operações da ENI não deve ser avaliado apenas pelos resultados operacionais ou pelos volumes de produção de gás natural liquefeito”, disse.
Para a petrolífera, o verdadeiro sucesso mede-se pelo desenvolvimento que os projectos deixam no país, através da criação de capacidades locais e do fortalecimento da economia.
A directora explicou que a estratégia da ENI assenta em três pilares, nomeadamente, a definição de objectivos comuns entre Governo, comunidades e sector privado, responsabilidade partilhada entre todos os intervenientes e cooperação permanente para alcançar um desenvolvimento sustentável.
Neste quadro, o conteúdo local continua a ocupar uma posição central na estratégia da empresa. A ENI tem vindo a investir na formação dos seus colaboradores, na qualificação de técnicos moçambicanos e no reforço da cadeia de fornecimento nacional, permitindo uma participação crescente das empresas locais nos projectos de gás da Bacia do Rovuma.
“A empresa promove regularmente encontros com fornecedores nacionais, feiras empresariais e sessões de apresentação de oportunidades de contratação. Até ao momento, mais de 400 empresas moçambicanas participaram nestas iniciativas, destinadas a facilitar o acesso ao mercado da indústria petrolífera e do gás”, salientou.
A directora destacou igualmente o trabalho desenvolvido com parceiros internacionais para aumentar a incorporação de conteúdo local.
Como exemplo, anunciou que uma parte significativa da construção de componentes associados ao projecto Coral Norte será realizada em Pemba, ao abrigo de um acordo com um empreiteiro internacional.
“Cerca de metade do valor desta componente será executada localmente, numa decisão que, segundo afirmou, resulta de uma opção estratégica da empresa e não apenas de uma obrigação legal”, vincou.
A visão da ENI converge com a política apresentada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, que defendeu, no Mozambique CEO Summit, que o conteúdo local deve ser entendido como uma estratégia de desenvolvimento nacional e não como uma simples formalidade administrativa.
Segundo o Chefe do Estado, os grandes investimentos devem criar ligações efectivas com a economia nacional, abrir espaço para as micro, pequenas e médias empresas, promover a transferência de conhecimento, respeitar as comunidades, proteger o ambiente e cumprir rigorosamente a legislação moçambicana.
“O fortalecimento do conteúdo local permitirá aumentar a capacidade produtiva das empresas nacionais, qualificar a mão-de-obra moçambicana e assegurar que a riqueza gerada pelos recursos naturais beneficie o País e toda a região da África Austral”, disse.
O Presidente reafirmou igualmente que Moçambique continuará a melhorar o ambiente de negócios, reforçando a segurança jurídica, simplificando procedimentos administrativos, combatendo a corrupção e criando condições para atrair investimento privado.
Defendeu ainda que o país está aberto ao investimento, à inovação e às parcerias, mas apelou ao sector privado nacional para responder com profissionalismo, integridade e capacidade de execução.
A ENI considera que esta visão constitui um elemento essencial para o futuro da indústria do gás em Cabo Delgado.
(AIM)
Paulino Checo/
