Maputo, 7 de Mai (AIM) – A Directora da Eni Rovuma Basin, Marica Calabrese, afirmou em Maputo que o projecto Coral Sul FLNG consolidou-se como um marco da indústria mundial de gás natural liquefeito, ao colocar Moçambique entre os principais produtores globais de LNG, destacando os resultados operacionais alcançados desde o arranque da produção, em 2022, e as perspectivas promissoras do Coral Norte FLNG.
Durante a sua intervenção na 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC), que decorre desde quarta-feira na cidade de Maputo, a responsável da petrolífera italiana sublinhou que o Coral Sul foi o primeiro projecto que pôs o gás da bacia do Rovuma em produção, numa altura em que muitos duvidavam da viabilidade da iniciativa.
“Os parceiros da Área 4, liderados pela Eni, estavam convencidos de que esse projecto era fundamental para o País”, declarou Calabrese.
De acordo com a fonte, a produção iniciada em 2022 apresenta actualmente uma estabilidade de produção que não existe no mundo.
A dirigente destacou que o Coral Sul FLNG representa um feito tecnológico sem precedentes, ao ser a única plataforma flutuante que faz gás em águas ultraprofundas no mundo, sublinhando que a operação decorre com elevados padrões internacionais de saúde, segurança e integridade técnica.
Segundo dados apresentados durante a conferência, o projecto Coral Sul já entregou perto de 300 milhões de dólares em receitas ao Estado moçambicano e realizou mais de 150 carregamentos de gás natural liquefeito para exportação, resultados apontados pela Eni como prova do sucesso operacional e financeiro da iniciativa.
A responsável reiterou que a petrolífera italiana, que opera na Bacia do Rovuma através da Área 4, considera o Coral Sul um motivo de orgulho não apenas para os parceiros do consórcio, mas também para Moçambique.
“A Eni e todos os parceiros da Área 4 estão orgulhosos disso. E eu acho que também todos os moçambicanos têm de estar orgulhosos desse alcance que aqui temos”, afirmou.
Sobre o futuro do sector, Marica Calabrese revelou que o próximo capítulo do desenvolvimento do gás natural liquefeito em Moçambique será o Coral Norte FLNG, cujo plano de desenvolvimento já foi aprovado e cuja decisão final de investimento já foi tomada.
“O Coral Norte já está em construção. O princípio da produção vai ser em 2028”, disse.
A directora explicou que o novo projecto nasceu da experiência acumulada com o Coral Sul e será uma versão tecnologicamente melhorada da primeira unidade, para Além de que, deverá gerar maiores ganhos para o Governo moçambicano, aumentar o conteúdo local e elevar os benefícios para o País
“O que nós fizemos de verdade foi uma cópia melhorada. Vamos aplicar todas as lições aprendidas que temos”, disse.
Na sua intervenção, Marica Calabrese dedicou igualmente atenção à estratégia de conteúdo local da Eni, defendendo que o envolvimento das empresas moçambicanas não deve ser visto apenas como obrigação legal, mas como parte natural do desenvolvimento industrial.
“Conteúdo local para a Eni não é um requisito da lei. Conteúdo local é natural”, afirmou.
A responsável explicou que a multinacional tem promovido seminários, encontros empresariais e parcerias com universidades moçambicanas para preparar empresas nacionais a competir no mercado internacional de petróleo e gás.
“O vosso objectivo não tem de ser trabalhar com a Eni, com a Total ou com a Exxon. O vosso objectivo é ser competitivo”, declarou.
A Eni destacou ainda iniciativa “Open Days”, destinado a aproximar empresas moçambicanas das oportunidades existentes na cadeia de fornecimento do sector energético, envolvendo equipas de procurement baseadas em Maputo e Pemba.
Calabrese deixou a indicação de que Moçambique poderá assistir ao desenvolvimento de um terceiro grande capítulo na indústria de LNG, reforçando as perspectivas de expansão do gás natural na Bacia do Rovuma.
“Obviamente, há uma terceira história para o LNG. Não tem duas, tem três”, concluiu.
(AIM)
Paulino Checo/
