Maputo, 22 Jul (AIM) – A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que a dificuldade de acesso ao financiamento continua a ser um dos principais entraves ao crescimento das pequenas e médias empresas (PME).
A agremiação olha para a digitalização como um instrumento decisivo para inverter este cenário.
A posição foi apresentada esta quinta-feira, em Maputo, pelo representante da CTA, Egas Daniel, que afirmou que inúmeras actividades económicas geram riqueza, criam emprego e acrescentam valor à economia nacional, mas permanecem praticamente invisíveis para o sistema financeiro formal.
Segundo explicou, muitas destas empresas não dispõem de dados estruturados, registos digitais, históricos financeiros ou outros mecanismos que permitam às instituições financeiras avaliar correctamente o risco e reconhecer o seu verdadeiro potencial económico.
“Milhares de pequenas e médias empresas, produtores agrícolas, operadores logísticos, prestadores de serviços e empreendedores continuam excluídos do acesso ao financiamento, um recurso essencial não apenas para a expansão dos seus negócios, mas também para garantir a sua sustentabilidade”, afirmou.
Perante este cenário, a CTA defende que a digitalização deve assumir um papel central na transformação do ambiente empresarial, através da recolha, organização e utilização de dados económicos capazes de converter activos informais ou insuficientemente documentados em activos verificáveis, mensuráveis e susceptíveis de financiamento.
Egas Daniel salientou que uma empresa dotada de registos digitais das suas transacções, histórico de pagamentos, integração com plataformas electrónicas, sistemas de rastreabilidade da produção e mecanismos adequados de governação reduz a assimetria de informação e reforça a confiança das instituições financiadoras.
Na sua perspectiva, os dados tornaram-se um activo estratégico, por permitirem uma avaliação mais rigorosa do risco, o desenvolvimento de produtos financeiros mais ajustados às necessidades do mercado, a expansão do acesso ao crédito, a redução dos custos de intermediação e a inclusão de um maior número de empresas e cidadãos no sistema financeiro formal.
O representante da CTA acrescentou que Moçambique tem registado progressos na digitalização dos pagamentos e na expansão da moeda electrónica. Contudo, advertiu que o próximo grande desafio passa por utilizar essa transformação digital para impulsionar o financiamento da economia e assegurar que as pequenas e médias empresas tenham acesso aos recursos necessários para crescer e contribuir de forma mais significativa para o desenvolvimento do País.
(AIM)
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