Lichinga, 22 de Fev (AIM) – As Pequenas e Médias Empresas (PMEs) das províncias do Niassa e Cabo Delgado, zona norte, receberam um novo fôlego financeiro com a criação de uma janela de subvenções comparticipadas, avaliada em 130 milhões de meticais.
A iniciativa, promovida pelo Governo em parceria com diferentes actores de cooperação, visa dinamizar as ligações empresariais inclusivas e ampliar o acesso aos mercados por parte das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME’s).
Num cenário económico marcado por sucessivos choques, desde conflitos armados a desastres naturais, o sector empresarial local tem enfrentado constrangimentos ligados a fragilidade do tecido económico, aliada à escassez de financiamento estruturado, limitando a capacidade de expansão das empresas e afectando a geração de emprego e rendimento.
A disponibilização das linhas de financiamento pelo Ministério das Finanças, através do projecto Conecta Negócios, coordenado pela Agência de Desenvolvimento do Norte (ADIN) e outros parceiros de implementação, foi recebida com optimismo pelo sector privado e considerado um verdadeiro balão de oxigénio para os empresários da região.
Em entrevista à AIM, o presidente do Conselho Empresarial do Niassa, Inocêncio Sotomane, afirmou que as subvenções simbolizam a confiança que o Governo e os parceiros depositam no sector empresarial como motor do desenvolvimento local. Segundo explicou, o instrumento financeiro surge num momento crítico, em que o acesso ao crédito bancário formal continua limitado, sobretudo devido à insuficiência de garantias e ao fraco histórico financeiro estruturado das PMEs.
“Este fundo traz produtos inovadores, comparado com grande parte do fundo catalítico lançado anteriormente, que o pacote de nível de exigência era bastante alto. Esta é a razão pela qual estamos bastante satisfeitos como conselho empresarial a nível da província”, declarou a fonte do CEP Niassa.
Também o Director-geral do Instituto para Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), Feliz Malate, considera que os fundos irão alavancar a capacidade de financiamento das actividades das PMEs. Para o responsável, trata-se de uma iniciativa-chave para criar condições de sustentabilidade empresarial e robustecer o sector privado local.
“Então, julgamos que é uma oportunidade ímpar, dentre tantas e várias acções que o Governo Moçambicano faz, juntamente com os seus parceiros, de ajudar as pequenas e médias empresas, assisti-las, capacitando-as e criando condições de operacionalidade e de competitividade dessas mesmas pequenas e médias empresas”, afirmou.
O dirigente reconheceu, contudo, que persistem inúmeros desafios estruturais. “Estas subvenções são uma das iniciativas, dentre várias, que o Governo moçambicano procura alocar às pequenas e médias empresas, para que elas possam subsistir, crescer e serem competitivas e contribuir para as soluções e as necessidades que o país moçambique”, acrescentou.
À margem do lançamento, o Governo promoveu um encontro com o sector empresarial do Niassa liderado pelo Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Valâ, para auscultar as principais inquietações dos operadores económicos.
“Tivemos a oportunidade de ouvir dessas pequenas e médias empresas as ambições, as dificuldades e também as contribuições de possíveis soluções. Foi um momento ímpar que irá ajudar a desenvolver mecanismos que vão ao encontro às preocupações levantadas, desde a questão do acesso ao mercado, acesso às fontes de financiamento, a questão do ambiente de negócio”, explicou Malate.
Por sua vez, a Governadora do Niassa, Judite Massangele, sublinhou que as subvenções constituem um mecanismo financeiro capaz de impulsionar iniciativas produtivas, fortalecer cadeias de valor e acelerar o desenvolvimento inclusivo. Reiterou o compromisso do executivo local em transformar o Niassa numa província economicamente competitiva.
Apelando à responsabilidade dos beneficiários, a governante alertou “Estes recursos devem ser usados com responsabilidade e efeito multiplicador. Cada metical investido deve traduzir-se em emprego, rendimento e melhoria das condições de vida”, vincou.
Dados oficiais indicam que Niassa e Cabo Delgado apresentam uma densidade empresarial formal significativamente inferior à média nacional, com predominância de microempresas pouco capitalizadas e com reduzida incorporação tecnológica.
Mais de 66% da população vive em zonas rurais, dependente de actividades primárias de baixo valor acrescentado, um retrato que a nova linha de subvenções do projecto Conecta Negócios pretende começar a transformar.
(AIM)
Paulino Checo/
