Manhiça, 27 Ago (AIM) – O Sector Agrário está a reforçar a produção agrícola através de soluções adaptadas às mudanças climáticas, com destaque para o uso de estufas e furos de água que já permitem a produtores da Manhiça produzir hortícolas durante todo o ano.
“Com as estufas, com os furos de água, eles já conseguem produzir hortícolas todo o ano”, explicou o Director Nacional da Agricultura, Jabula Zibia, durante uma visita de parlamentares da Alemanha e do Luxemburgo a projectos apoiados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), no Posto Administrativo de Maluna, localidade de Chicumbulane.
Segundo Zibia, a experiência demonstra a importância de criar alternativas à produção dependente da chuva, sobretudo num contexto em que as mudanças climáticas estão a tornar os ciclos produtivos cada vez mais imprevisíveis.
“Queremos que a maior parte dos produtores não produza dependendo da chuva, mas possa produzir de forma mais sustentável e com mais certeza de garantir aquilo que é a produção”, afirmou.
Para o dirigente, a expansão destas soluções passa pela reabilitação dos sistemas de regadio afectados pelas inundações e pela massificação da abertura de furos de água, permitindo que mais produtores tenham acesso a fontes alternativas para a irrigação.
A estratégia contempla igualmente a produção de sementes de primeira geração, em parceria com o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique, como forma de aumentar a disponibilidade de sementes certificadas produzidas localmente.
“Essas sementes de primeira geração são extremamente importantes, porque essas sementes vão determinar a quantidade de sementes certificadas produzidas localmente”, explicou.
Zibia apontou ainda a recuperação da mecanização como outra componente necessária para elevar a produtividade, estando em curso um levantamento do parque de máquinas agrícolas existente no país para identificar equipamentos que podem ser recuperados.
A capacitação dos produtores constitui igualmente uma prioridade, através do reforço da extensão agrária, uma vez que, segundo o dirigente, a disponibilização de tecnologias deve ser acompanhada pelo conhecimento necessário para a sua utilização.
“Mais difícil é o conhecimento. Daí que a nossa extensão também está jogando um papel importante”, disse.
Durante a visita, os parlamentares europeus tiveram contacto directo com as experiências dos produtores e com as soluções adoptadas para aumentar a produção e reduzir a vulnerabilidade das comunidades aos efeitos das mudanças climáticas.
O deputado do Parlamento alemão Johannes Wagner considerou que a experiência demonstra o impacto que a cooperação internacional pode ter quando o apoio chega directamente às comunidades.
“Com um apoio inicial, as pessoas são capazes de fazer com que este projecto cresça cada vez mais e que mais pessoas se beneficiem do mesmo”, afirmou.
Wagner destacou particularmente o trabalho desenvolvido pelas mulheres nas iniciativas visitadas e comprometeu-se a levar a experiência observada na Manhiça aos seus colegas na Alemanha e no Luxemburgo.
“Farei o meu melhor para trazer a palavra para a Alemanha e para Luxemburgo (…) e para lutar por um apoio contínuo para Moçambique”, disse.
A delegação, composta por dois parlamentares alemães e dois luxemburgueses, conheceu ainda intervenções nas áreas da pecuária, pesca artesanal e aquacultura, integradas nos esforços de aumento da produção e melhoria da segurança alimentar.
(AIM)
SN/pc
