Inhambane, 23 Set (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, exigiu sexta-feira, na cidade de Inhambane, às Forças de Defesa e Segurança (FDS), uma força moderna, disciplinada e tecnologicamente preparada para fazer face às ameaças do presente e do futuro.
Chapo falava no quadro das celebrações dos 60 anos da luta de libertação nacional e dos 51 anos do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
“A situação de Cabo Delgado deve mudar. Façam de tudo para que as nossas FADM estejam mais preparadas para lidar com essas ameaças do presente e do futuro”, disse.
Segundo o Presidente da República, as FADM são chamadas a combater o terrorismo, o extremismo violento, o crime violento, o crime organizado transnacional, o tráfico de drogas, de armas e de pessoas, a criminalidade transfronteiriça, as ameaças à segurança marítima e a cibercriminalidade, bem como a desinformação, o boato, as ameaças às infra-estruturas críticas do povo moçambicano, as alterações climáticas e as calamidades naturais.
“Sabemos que as nossas Forças de Defesa e Segurança têm estado a fazer muito esforço para combater estes males. Por isso, estão de parabéns as FDS”, afirmou.
O Governo está ciente de que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique têm estado a fazer tudo para manter firme a luta contra o terrorismo e impedir que este fenómeno tome proporções alarmantes.
As forças amigas do Ruanda, da Tanzânia e as forças locais têm estado a contribuir para a melhoria da situação na província de Cabo Delgado, garantindo que a segurança em Moçambique se mantenha relativamente estável.
“A retoma de grandes projectos de gás na Bacia do Rovuma constitui uma grande confiança na segurança. Sabemos que o terrorismo não acabou, mas reduziram-se as operações de grande dimensão que vinham ocupando algumas vilas dos distritos da zona norte da província de Cabo Delgado”, disse.
Actualmente, os terroristas privilegiam acções de pequenas células dispersas e altamente móveis, recorrendo a emboscadas, engenhos explosivos improvisados, sequestros e saques de bens, incluindo para obtenção de resgates.
“Os progressos alcançados em Cabo Delgado demonstram que estamos a recuperar a iniciativa estratégica. Contudo, a natureza adaptativa desta ameaça exige que mantenhamos elevada vigilância junto do nosso povo e aumentemos a prontidão colectiva”, afirmou.
O Governo acredita que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique podem fazer muito mais do que aquilo que estão a fazer actualmente.
“Sempre que enfrentarem dificuldades no combate a estes males, busquem inspiração na história do nosso povo e dos combatentes da luta de libertação nacional, desde o período da resistência pré-colonial”, apelou.
“Por exemplo, podem buscar a tenacidade do imperador de Gaza, Ngungunhane, que utilizou tanto a diplomacia como a força para conter o avanço português”, disse.
Apelou igualmente aos militares para que se inspirem nas forças de Maguiguana Cossa, um dos grupos de combatentes de Ngungunhane, após a captura do imperador.
“Lutou contra as tropas coloniais até cair, em 1897, na região sul. Podem buscar a força de Macombe, do reino Báruè, que liderou uma grande resistência e cuja queda ocorreu em 1902”, afirmou.
Por outro lado, exigiu ao Exército moçambicano que resgate a coragem do comandante da chamada República Popular de Maganja da Costa, que, através do seu poderoso exército de Achicunda, resistiu à ocupação colonial entre 1862 e 1898, na região centro do país.
“Procurem buscar a determinação do reino Mataka, que transformou a região num bastião intransponível para os portugueses durante anos”, disse.
Informou igualmente sobre a bravura do reino Marave, que se recusava a pagar o imposto de palhota.
Acrescentou que o mundo está a mudar e que o exército que não acompanhar as transformações ficará para trás.
“Hoje precisamos de uma força moderna, disciplinada, tecnologicamente preparada e ligada ao povo”, disse.
A cidade de Inhambane foi palco de várias actividades culturais e de uma demonstração do arsenal militar do Exército moçambicano.
No quadro da cerimónia, foram condecorados 678 cidadãos em todo o território nacional, com destaque para um cidadão com a Ordem Samora Machel do II Grau, dois cidadãos com a Medalha 25 de Setembro do II Grau e três cidadãos com a Ordem 25 de Setembro do III Grau.
Ainda sexta-feira, foram galardoados 27 cidadãos com a Medalha Militar, três com a Medalha da Polícia, quatro com a Medalha de Artes e Letras, um com a Medalha de Mérito Académico, três com a Medalha de Trabalho e 635 com a Medalha de Veterano da Luta de Libertação Nacional.
Refira-se que, a nível das províncias, os Secretários de Estado foram destacados para dirigir as cerimónias de condecoração.
(AIM)
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