Maputo, 29 de Set (AIM) — A Itália reforça sua ambiçãosua de transformar Roma numa placa giratória europeia para investimentos em África.
À margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional, Antonio Tajani, reuniu-se com o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alexander De Croo, num encontro que poderá reforçar o papel da capital italiana na arquitectura internacional do financiamento ao desenvolvimento.
Sobre a mesa estão dois objectivos estratégicos: reforçar o centro do PNUD em Roma e iniciar o processo de transferência para a capital italiana da equipa do Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF). Escreve AGI.
A iniciativa insere-se na estruturação da missão do Plano Mattei, a estratégia italiana destinada a aprofundar as relações económicas e de cooperação com os países africanos.
O UNCDF ocupa uma posição particular dentro do sistema das Nações Unidas. A agência apoia os países mais frágeis através de instrumentos financeiros concebidos para atrair capital para mercados onde os mecanismos tradicionais de financiamento encontram maiores obstáculos.
Entre esses instrumentos estão capital de risco, garantias e mecanismos de financiamento misto público-privado, concebidos para reduzir riscos e mobilizar investimentos em sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento.
A eventual concentração de novas capacidades do UNCDF em Roma acrescentaria, assim, uma componente financeira à presença italiana no sistema internacional de cooperação.
Mais do que uma transferência administrativa, o movimento pretende aproximar os instrumentos financeiros das instituições italianas envolvidas na cooperação e na implementação do Plano Mattei, criando condições para uma maior articulação entre governos, organismos internacionais e investidores privados.
A iniciativa está alinhada com a estratégia definida pela Presidente do Conselho de Ministros italiana, Giorgia Meloni, que pretende colocar Roma no centro do circuito europeu de investimentos em África.
A ambição italiana passa por estabelecer uma ligação mais estreita entre o Plano Mattei e a estratégia Global Gateway, da União Europeia, que procura mobilizar investimentos em infra-estruturas, energia, transportes, saúde, educação e transformação digital nos países parceiros.
Neste contexto, Roma procura assumir um papel de interlocutor entre os instrumentos europeus, as instituições das Nações Unidas, o sector privado e os governos africanos.
O reforço do centro do PNUD e a transferência da equipa do UNCDF poderão intensificar as actividades, iniciativas e formas de colaboração entre as agências das Nações Unidas e as diferentes administrações italianas.
A aposta abrange não apenas os países mais frágeis, mas também economias emergentes com potencial para receber novos fluxos de investimento.
O objectivo ampliar o número de instrumentos disponíveis para transformar projectos de desenvolvimento em oportunidades concretas de investimento.
É neste ponto que a dimensão financeira ganha particular importância. A cooperação internacional deixa de estar limitada à assistência tradicional e passa a procurar mecanismos capazes de mobilizar recursos públicos e privados em maior escala.
A presença reforçada do PNUD e do UNCDF em Roma poderá consolidar a capital italiana como um dos pontos de articulação da política europeia de desenvolvimento em África.
Para a Itália, o movimento representa também uma oportunidade de dar dimensão internacional ao Plano Mattei, colocando as instituições multilaterais e os mecanismos financeiros no centro da sua execução.
Para África, a questão essencial será saber se esta nova arquitectura conseguirá converter os compromissos políticos em capital, projectos e empregos, sobretudo nos sectores considerados prioritários para o desenvolvimento económico.
Roma quer, assim, posicionar-se não apenas como sede política de uma nova fase da cooperação com África, mas como plataforma financeira capaz de aproximar governos, instituições multilaterais e investidores.
(AIM)
