Maputo, 30 Set (AIM) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, considerou positiva a visita de Estado ao Botswana, apontando o reforço da cooperação bilateral, novas perspectivas de investimento e a criação de ligações aéreas entre os dois países como alguns dos resultados da deslocação, que incluiu igualmente contactos com a comunidade moçambicana residente naquele país.
No encontro com representantes da diáspora moçambicana, realizado esta quarta-feira, em Gaborone, o Chefe do Estado apelou aos compatriotas para reforçarem a sua organização e participação no Diálogo Nacional Inclusivo, defendendo o diálogo e a troca de ideias como instrumentos para enfrentar as diferenças e construir soluções para o país.
“Continuem organizados em associações, porque esta associação une os moçambicanos, é um ponto de encontro”, afirmou Chapo.
A comunidade moçambicana no Botswana manifestou, por seu turno, disponibilidade para contribuir para o desenvolvimento nacional, colocando à disposição do país conhecimentos, experiências profissionais, competências, negócios e redes de contactos adquiridos ao longo da sua permanência no exterior.
Entre os assuntos destacados pelo Presidente da República esteve a necessidade de aprofundar a cooperação económica entre Moçambique e Botswana, com particular atenção para o turismo e para a criação de melhores ligações entre os dois mercados.
Chapo anunciou que os dois países estão a trabalhar na criação de ligações aéreas entre o Botswana e destinos turísticos moçambicanos, nomeadamente Vilankulo, Inhambane e Maputo.
A iniciativa deverá permitir a criação de pacotes turísticos integrados, aproveitando a proximidade geográfica dos dois países e o potencial de complementaridade entre os respectivos destinos turísticos.
Na vertente dos investimentos, o Presidente apontou o sector do gás como uma das principais fontes de recursos para financiar a diversificação da economia moçambicana.
Segundo Chapo, os projectos de gás em desenvolvimento ou em preparação poderão representar investimentos na ordem dos 50 a 60 mil milhões de dólares nos próximos cinco a dez anos.
A estratégia do Governo, explicou, passa por utilizar as receitas provenientes do gás, incluindo impostos e royalties, para impulsionar outros sectores da economia.
Entre as áreas apontadas estão a agricultura, turismo, infra-estruturas, logística, industrialização, comércio e digitalização.
No domínio da segurança, Chapo agradeceu ao Botswana pelo apoio prestado a Moçambique através da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM), no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
O Presidente reconheceu que persistem desafios de segurança em algumas zonas da província, onde continuam a ocorrer ataques terroristas e deslocações de populações.
Neste contexto, defendeu a necessidade de consolidar a estabilidade política, económica e social como condição para a atracção de investimentos e para a concretização dos projectos de desenvolvimento.
A situação política nacional ocupou igualmente parte da intervenção do Chefe do Estado, que se referiu às eleições de 2024 e ao período posterior à votação.
Chapo defendeu que as diferenças políticas devem ser resolvidas através do diálogo e explicou que o Compromisso Político para o Diálogo Nacional Inclusivo foi posteriormente transformado numa lei aprovada por consenso pela Assembleia da República.
Segundo o Presidente, o processo de diálogo está também a ser desenvolvido junto das comunidades moçambicanas residentes no exterior.
“Se eu penso diferente do meu irmão ali, não preciso de usar a força, a violência, o ódio, a desinformação, a manipulação ou qualquer outra forma não apropriada para poder impor as minhas ideias, mas tenho que fundamentar”, afirmou, acrescentando que “pensar diferente traz riqueza”.
Durante o encontro, os representantes da comunidade moçambicana apresentaram um conjunto de preocupações relacionadas com a situação económica e social do país.
Entre os assuntos levantados figuraram o custo de vida, o desemprego, sobretudo entre os jovens, as dificuldades económicas, os efeitos das mudanças climáticas, os desafios de segurança e a necessidade de reforçar a confiança dos cidadãos e melhorar o ambiente de negócios.
A comunidade defendeu igualmente o fortalecimento das instituições, o combate à corrupção e a melhoria dos sectores da educação e saúde, incluindo a necessidade de hospitais com medicamentos e equipamentos adequados e escolas com condições dignas.
Os representantes da diáspora defenderam ainda uma gestão transparente e responsável dos recursos naturais, para que as oportunidades associadas à exploração desses recursos se traduzam em benefícios concretos para os cidadãos.
O Presidente da República valorizou igualmente o papel desempenhado pela diáspora na projecção da imagem de Moçambique no exterior.
Na sua intervenção, recordou uma apreciação que, segundo relatou, lhe foi transmitida pelo antigo Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, segundo a qual a comunidade moçambicana constituía “a comunidade mais exemplar” em Portugal.
Para Chapo, os moçambicanos residentes no exterior representam um activo para o desenvolvimento nacional, devido aos conhecimentos, experiências, competências profissionais, negócios e redes de contactos que podem ser mobilizados em benefício do país.
“E a nossa visão é que, com base nos recursos que vão decorrer do gás, como o caso de impostos, as receitas, royalties e outros recursos, é diversificar a nossa economia”, afirmou.
O encontro terminou com um apelo à continuidade do envolvimento da diáspora no desenvolvimento de Moçambique, numa altura em que o Governo procura mobilizar investimento, reforçar a integração regional e transformar os recursos naturais em instrumentos de diversificação económica.
(AIM)
