Maputo, 04 de Out (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, apontou hoje o desenvolvimento económico, a criação de emprego e a geração de oportunidades como a nova fronteira da paz em Moçambique.
Defendeu que a consolidação da estabilidade nacional exige diálogo permanente, reconciliação e unidade entre os moçambicanos.
Falando na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, durante a cerimónia de celebração do 34.º aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz, Chapo afirmou que, depois de três décadas de paz, o país deve entrar numa nova etapa em que os ganhos da estabilidade se traduzam em desenvolvimento, produção, rendimento e melhores condições de vida para a população.
Sob o lema “A Religião como Promotora da Paz e Segurança”, a celebração do 4 de Outubro serviu igualmente para o Chefe do Estado reafirmar o diálogo como instrumento essencial para preservar as conquistas alcançadas e responder aos novos desafios nacionais.
Para Chapo, o 4 de Outubro representa mais do que a assinatura de um acordo, simbolizando a decisão dos moçambicanos de substituir o confronto pelo diálogo, a divisão pela reconciliação e a guerra pela esperança.
“trata-se da maior conquista colectiva da nossa história contemporânea. “A paz que hoje respiramos não surgiu por acaso. Foi construída com sacrifício, coragem e com renúncia”, afirmou.
Chapo defendeu que a paz deve produzir benefícios concretos para os cidadãos, sobretudo através da criação de emprego, aumento da produção, melhoria dos rendimentos e expansão das oportunidades.
Reiterou que a Independência Económica constitui a nova etapa da agenda nacional, destacando medidas nos sectores da mineração, petróleo, conteúdo local, financiamento à indústria e industrialização da agricultura.
Para o Chefe do Estado, a ausência de guerra deve caminhar lado a lado com a capacidade de o país criar condições para que os seus cidadãos tenham uma vida digna e perspectivas de futuro.
Defendeu igualmente que a paz deve ser renovada por cada geração e preservada através do diálogo, apontando o Diálogo Nacional Inclusivo como expressão dessa responsabilidade colectiva.
“O verdadeiro diálogo não começa quando todos concordamos. Pelo contrário, começa quando, apesar das nossas diferenças, decidimos sentarmo-nos à mesma mesa e procurar aquilo que serve para desenvolver Moçambique e para todos os moçambicanos”, afirmou.
Considerou que esta cultura de diálogo é particularmente importante num contexto marcado pela desinformação, manipulação e boato, apelando aos cidadãos para que não permitam que as diferenças políticas, religiosas, linguísticas ou regionais se sobreponham à identidade nacional.
“Somos todos moçambicanos e Moçambique é uno e indivisível”, sublinhou.
O Chefe do Estado destacou ainda a necessidade de responder às aspirações da juventude, sobretudo dos milhões de moçambicanos que nasceram depois de 1992 e não viveram directamente os efeitos da guerra.
Para esta geração, afirmou, a paz deve significar educação de qualidade, emprego digno, acesso à tecnologia e esperança no futuro.
É neste quadro que o desenvolvimento económico surge como uma dimensão central da nova fronteira da paz, numa perspectiva em que a estabilidade deve criar condições para que os jovens tenham oportunidades e participem activamente no crescimento do país.
Daniel Chapo reconheceu também o papel das confissões religiosas na pacificação do país, recordando as marchas, cultos ecuménicos, vigílias e orações realizadas durante o conflito, bem como a intervenção de líderes religiosos na construção de pontes entre as partes.
O Governo, garantiu, continuará a trabalhar com todas as confissões religiosas, respeitando a liberdade religiosa e valorizando o seu contributo para a coesão social.
Na mesma ocasião, agradeceu a solidariedade manifestada pela população de Gaza para com os cidadãos de Cabo Delgado afectados pelo terrorismo e reiterou que o Estado continuará a combater o terrorismo, o extremismo violento, o crime transnacional, a corrupção e o tráfico de droga.
No encerramento, o Presidente da República apelou à participação de todos na construção de uma cultura de paz, defendendo que cada escola, família, instituição e cidadão deve assumir-se como promotor da reconciliação e da convivência pacífica.
“Que nunca mais as nossas diferenças sejam maiores do que Moçambique. Moçambique e a paz em Moçambique em primeiro lugar”, declarou.
(AIM)
Redacção
