Maputo, 07 de Out (AIM) – O Banco de Moçambique e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) retomaram o diálogo e anunciaram um novo mecanismo para estimular o crédito às empresas, com foco no aumento da produção nacional, substituição de importações e crescimento das exportações.
A medida foi anunciada durante o encontro CPMO+1, realizado em coordenação entre o Banco de Moçambique e a CTA, que marcou a retoma das conversações entre as duas instituições e abriu espaço para uma discussão directa sobre os principais desafios que afectam a economia e o sector privado.
O encontro teve como objectivo apresentar a evolução recente da economia, explicar as decisões de política monetária e ouvir as preocupações e propostas dos empresários.
No centro do encontro esteve o anúncio de um novo regime de financiamento, com duração de 18 meses, que permitirá aos bancos comerciais deduzir das reservas obrigatórias um valor correspondente aos novos créditos concedidos a empresas que contribuam para a substituição de importações e ou para o aumento das exportações.
Para os financiamentos destinados ao investimento, será usada como referência a taxa MIMO, actualmente fixada em 9,5 por cento. Para o financiamento de tesouraria será aplicada uma margem adicional.
A medida contará também com o apoio do Fundo de Garantia Mutuária, numa tentativa de reduzir os riscos associados ao financiamento das empresas e facilitar o acesso ao crédito.
O mecanismo surge num contexto em que o aumento da liquidez no sistema bancário ainda não se traduziu num crescimento significativo do crédito à economia.
Segundo o Banco de Moçambique, mesmo com a redução das taxas de juro, o stock de crédito manteve-se relativamente estável. A situação mostra que as dificuldades de acesso ao financiamento não estão relacionadas apenas com o custo do dinheiro, mas também com factores de risco e limitações na oferta de crédito.
Durante o encontro, o Banco de Moçambique descreveu a recuperação económica como lenta e ainda condicionada por vários factores, entre os quais vulnerabilidades estruturais, choques climáticos e políticos, elevado endividamento público interno, fraca capacidade produtiva e dependência de financiamento externo.
Apesar destes constrangimentos, a instituição destacou a resiliência do sistema financeiro, os níveis considerados confortáveis das reservas internacionais e os sinais recentes de recuperação da actividade económica.
A política monetária, entretanto, continuará concentrada na estabilidade de preços, num cenário ainda marcado por riscos associados à inflação importada, preços dos combustíveis e dos alimentos, tensões geopolíticas, choques climáticos e evolução da dívida pública.
Na sua última sessão, o Comité de Política Monetária (CPMO) decidiu manter a taxa MIMO em 9,5 por cento e o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional em 29 por cento, mantendo igualmente as restantes condições do corredor operacional.
A CTA recebeu positivamente o novo mecanismo, considerando que a medida representa uma mudança importante na forma de utilização dos instrumentos de política monetária para apoiar a economia.
A organização empresarial, contudo, alertou que a melhoria de alguns indicadores macroeconómicos ainda não se reflecte numa recuperação equivalente da situação das empresas.
Para a CTA, o impacto da nova medida dependerá da existência de critérios de elegibilidade claros, procedimentos simples e rápidos e, sobretudo, de um acesso efectivo das pequenas e médias empresas ao financiamento.
A organização manifestou disponibilidade para colaborar na divulgação do mecanismo, na identificação de projectos elegíveis e na monitoria dos principais constrangimentos enfrentados pelas empresas.
A questão cambial também esteve entre os temas discutidos no encontro.
Em resposta às preocupações apresentadas pelo sector privado, o Banco de Moçambique informou que está a trabalhar na criação de uma plataforma de monitoria das operações cambiais realizadas pelos bancos comerciais.
A plataforma deverá permitir acompanhar os fluxos de divisas, as necessidades dos importadores e as operações dos exportadores. A sua implementação está prevista até ao final do ano.
A ferramenta deverá reforçar a capacidade de acompanhamento do mercado cambial e permitir uma melhor compreensão das necessidades de divisas da economia.
No final do encontro, o Banco de Moçambique e a CTA acordaram em tornar permanente e mais operacional o diálogo entre as duas instituições.
A intenção é criar um espaço regular para que as preocupações do sector privado sejam consideradas na definição, regulamentação e implementação das medidas de política económica.
(AIM)
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