Maputo, 08 de Nov (AIM) – O percurso militar e político de Tobias Joaquim Dai, marcado pela participação na Luta de Libertação Nacional, pela estruturação das Forças Armadas e pelo envolvimento nos processos de construção da paz, esteve no centro da homenagem prestada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante as exéquias do antigo Ministro da Defesa Nacional, realizadas este sábado, em Maputo.
Falecido a 2 de Novembro, vítima de doença, Tobias Dai deixou um percurso ligado a diferentes etapas da história política e militar de Moçambique, desde a luta armada contra o colonialismo português até à organização das instituições de defesa e segurança do Estado independente.
Aos 21 anos, em Janeiro de 1971, interrompeu os estudos para integrar a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), no Centro de Preparação Político-Militar de Nachingwea, na República Unida da Tanzânia. Durante a Luta de Libertação Nacional, desempenhou funções de comando na Infantaria, no Corpo de Instrutores e no Batalhão de Artilharia Antiaérea.
Com a proclamação da Independência Nacional, em 1975, passou a exercer diferentes responsabilidades nas Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM). Entre as funções que desempenhou constam as de Chefe de Artilharia no Estado-Maior General, Comandante Militar Provincial de Manica, Chefe da Direcção de Operações e Comandante do Exército das Forças Armadas de Moçambique.
O seu envolvimento na organização militar do país estendeu-se igualmente ao processo de implementação do Acordo Geral de Paz. Tobias Dai integrou a delegação governamental nas negociações realizadas em Roma e chefiou a representação do Governo na Comissão Conjunta responsável pela formação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), no quadro daquele entendimento.
No sector da Defesa Nacional, foi nomeado Secretário-Geral do ministério em 1995 e, posteriormente, em Janeiro de 2000, assumiu a pasta de Ministro da Defesa Nacional, cargo que ocupou até Março de 2008.
Durante a sua intervenção nas exéquias, o Presidente da República destacou a participação de Tobias Dai na condução das políticas de defesa, na preservação da soberania nacional e no fortalecimento das instituições militares.
O percurso do antigo governante incluiu também a actividade parlamentar, na Assembleia da República, onde exerceu funções de deputado e Vice-Presidente da Bancada Parlamentar da FRELIMO, participando na coordenação dos trabalhos parlamentares e nos processos de concertação entre as bancadas.
Na carreira militar, Tobias Dai alcançou o posto de Major-General em 1980, tendo sido promovido a Tenente-General em Junho de 1986. Em Agosto de 1994, passou à reserva.
Para além das funções de comando e responsabilidade governativa, Daniel Chapo evocou as características pessoais do antigo oficial, destacando a humildade, a capacidade de relacionamento e a dimensão pedagógica da sua liderança.
“A sua humildade, fácil trato e educador nato faziam do General Tobias Dai um líder que comandava com precisão e eficácia, mas sem perder a dimensão humana”, afirmou o Chefe do Estado.
Na mesma ocasião, o Presidente da República, na qualidade de Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, endereçou condolências à família enlutada, em nome do Estado e da Nação moçambicana, estendendo a mensagem aos veteranos da Luta de Libertação Nacional e aos antigos companheiros de armas do malogrado.
“Esta perda não é só vossa, é de toda a Nação moçambicana”, declarou.
Daniel Chapo associou ainda a memória de Tobias Dai aos valores de patriotismo, disciplina, lealdade e espírito de missão, referindo que a sua trajectória deve continuar a ser recordada pelas novas gerações de militares e servidores do Estado.
“A vida e obra do General Tobias Dai transcendem os limites do seu círculo familiar, tornando-se património da memória colectiva e um verdadeiro filho da Nação moçambicana”, afirmou o Presidente da República.
As exéquias constituíram uma ocasião de evocação do percurso de um oficial que participou na luta pela Independência Nacional, ocupou posições de comando nas estruturas militares do Estado e dirigiu o Ministério da Defesa Nacional durante oito anos.
(AIM)
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