Agricultura. Machamba de arroz. Foto de Ferhat Momade
Nampula (Moçambique), 10 Jul (AIM) – O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, defendeu a criação, com carácter de urgência, de um banco agrícola com robustez necessária e quadro legal adequado para financiar de forma estratégica e sustentável os sectores produtivos, com destaque para o agro-negócio.
Massingue avançou esta proposta na abertura da Conferência Internacional de Nutrição e Agro-Negócios, que hoje iniciou na cidade de Nampula, capital da província do mesmo nome, com a duração de dois dias.
“É urgente a criação de um Banco Agrícola robusto, com um quadro legal adequado, para financiar, de forma estratégica e sustentável, os sectores produtivos, com destaque absoluto para o agro-negócio. O momento de agir é agora. A nutrição não é apenas um problema social, é uma gigantesca oportunidade económica e o sector privado está pronto para liderar, lado a lado, com o governo e os parceiros de desenvolvimento”, afirmou.
A conferência decorre sob o lema “sistemas alimentares pela nutrição, impulsionadores do desenvolvimento sustentável e inclusivo de Nampula”, e conta com mais de 300 participantes dos sectores público, privado e sociedade civil e partidos políticos com assento nas assembleias nacional e provincial.
Considerando a extensa proporção de terras aráveis de que Moçambique dispõe, 36,5 milhões de hectares, Massingue anotou que o facto de apenas 15 por cento estar a ser efectivamente utilizada para a produção agrícola, significa que é imperiosa uma transformação urgente.
“Paradoxalmente, apenas 15 por cento dessa terra está efectivamente em produção agrícola. Este dado não apenas expõe um desafio, ele é um grito de alerta para uma transformação urgente”, salientou.
Entende ainda que Moçambique enfrenta uma emergência silenciosa e persistente como é a desnutrição crónica, tendo em conta os dados em presença, divulgados pelas autoridades competentes, os quais revelam que 37 por cento das crianças moçambicanas menores de cinco anos de idade sofrem de desnutrição crónica, cifra que, na nortenha província de Nampula, a mais populosa do país, fica mais agravada, pois o número sobe para 47,6, sendo 2,9 com baixo peso à nascença e 9,1 de desnutrição aguda,
Segundo Massingue, estes dados configuram um drama nacional que compromete o desenvolvimento cognitivo, a capacidade de aprendizagem e, no futuro, a inserção no mercado de trabalho.
Sendo assim, o presidente da CTA clarificou que a conferência em curso não é apenas um encontro técnico ou económico, mas, acima de tudo, um apelo à consciência nacional.
“Estamos perante uma encruzilhada histórica: ou continuamos a importar alimentos e, com isso, importar pobreza, ou produzimos localmente, alimentamos melhor o nosso povo e criamos riqueza dentro de casa. E, nesta viragem, o sector privado tem um papel central. Por isso, estamos aqui em peso, com um propósito claro: impulsionar uma abordagem económica que reconheça o crédito comercial, o financiamento produtivo e a banca de desenvolvimento como motores cruciais do progresso nacional”, assinalou.
Massingue tem uma explicação filosófica sobre o que é nutrição, pois, no seu entender não se trata apenas de saciar a fome.
“Nutrição não é apenas saciar a fome, é garantir dignidade, saúde e desenvolvimento humano. E, num país com rápido crescimento populacional, a única forma sustentável de garantir nutrição digna é produzindo mais, melhor e localmente, valorizando as cadeias de valor. Por isso, reafirmo, em nome da CTA, o nosso compromisso firme e inabalável com a causa da nutrição”, sublinhou.
Sustentou que “a nossa participação activa em iniciativas como o Plano Director de Avicultura e no apoio à fortificação obrigatória de alimentos demonstra, de forma clara, que o sector privado está preparado e comprometido, a ser protagonista na luta contra a fome, a subnutrição e a pobreza.”
“Por isso, deixo aqui um convite directo, claro e inequívoco a todos os empresários e empresárias nacionais e internacionais: vamos, juntos, transformar os desafios que Moçambique e, em particular, da província de Nampula, que detem oportunidades de negócios sustentáveis, inclusivos e socialmente responsáveis”, convidou.
A primeira conferência internacional de nutrição e a agro-negócios de Nampula termina sexta-feira, seguindo-se a Feira Económica de Nampula, entre 11 e 13 de Julho.
(AIM)
Rosa Inguane/dt
