Manada de zebras no Parque Nacional de Maputo
Lisboa, 13 Jul (AIM)- a comunidade moçambicana radicada em Portugal saúda a classificação do Parque Nacional de Maputo, no Sul do país, como Património Mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
A decisão final nesse sentido foi tomada este domingo em Paris, a capital francesa, durante a 47ª reunião da UNESCO, segundo o Ministério moçambicano da Agricultura, Ambiente e Pescas em nota a que a AIM, em Lisboa, teve acesso.
“Parabéns Moçambique”, escrevem em várias plataformas das redes sociais alguns moçambicanos que vivem em Portugal e atentos aos vários acontecimento no seu país.
“Já podemos dizer alguma coisa de nosso Moçambique, que bom”, acrescentam, adiantando “viva terra amada. Obrigado por essa conquista” e “maravilhoso”.
A UNESCO inscreveu oficialmente o Parque Nacional de Maputo como Património Mundial, assinalando uma conquista significativa para Moçambique e um importante passo em frente para a protecção da biodiversidade no continente africano.
“Este é um momento histórico e de orgulho para Moçambique”, afirmou Gustavo Dgedge, Secretário de Estado da Terra e Ambiente. “Ser reconhecido pela UNESCO é um poderoso endosso ao trabalho que está a ser realizado aqui. Honra a dedicação do nosso governo, comunidades e parceiros na restauração desta paisagem única.”
O Parque Nacional de Maputo apresenta uma extraordinária variedade de ambientes intactos e visualmente impressionantes, desde recifes de coral e bancos de ervas marinhas a zonas húmidas, lagos de água doce, dunas costeiras, savanas, pântanos e mangais que abrange.
Localizado no sul de Moçambique, o parque abrange uma área ecologicamente rica de 1.794 km². A designação reconhece o papel fundamental do Parque Nacional de Maputo na preservação de espécies e habitats ameaçados. As suas praias albergam os locais de nidificação mais a sul das tartarugas-de-couro e das tartarugas-comuns. A área alberga a maior concentração mundial de peixe-rei gigantes e serve como paragem fundamental para as aves migratórias na rota migratória da África Oriental, diz o ministério.
“Proteger estes espaços selvagens é essencial para sustentar a biodiversidade de África face às alterações ambientais globais”, afirmou Pejul Calenga, Director-Geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação de Moçambique. “Sendo apenas o segundo Património Mundial do nosso país, e o nosso primeiro Património Natural, esta designação demonstra o nosso compromisso com a protecção.”
Proclamado parque nacional em 2021, o Parque Nacional de Maputo fundiu a Reserva Especial de Maputo e a Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro numa ampla área protegida.
Originalmente estabelecido para proteger os icónicos elefantes costeiros da região, o parque sofreu uma transformação drástica, de uma paisagem outrora esgotada para uma das histórias de sucesso de conservação mais inspiradoras de África. Através de uma parceria de congestão com a Peace Parks Foundation, investimentos significativos em infra-estruturas e reforço da aplicação da lei criaram as condições para a reintrodução bem-sucedida de 5.388 animais selvagens, ajudando a restaurar o equilíbrio e a vitalidade do ecossistema.
Actualmente, o parque recebe visitantes em três estabelecimentos turísticos, oferecendo experiências que vão desde acampamentos rústicos a viagens de luxo.
As comunidades locais beneficiam também directamente do sucesso do parque através da partilha de receitas de 20 por cento, apoio a meios de subsistência sustentáveis e acesso gerido aos recursos naturais. As iniciativas comunitárias em curso incluem a agricultura de conservação, a pesca sustentável, a gestão de pastagens, a aquacultura, o ecoturismo e trabalhos de restauro remunerados, como a reabilitação de mangais.
“Este momento representa um marco importante não só para Moçambique, mas para toda a região”, afirmou Werner Myburgh, CEO da Peace Parks Foundation.
“Elogiamos o compromisso inabalável do Governo de Moçambique com a conservação e o desenvolvimento comunitário. Temos imenso orgulho de termos trilhado esta jornada com eles como parceiros de congestão. O que antes era uma área protegida apenas no papel, é agora uma paisagem produtiva e próspera de importância global. Esta conquista não teria sido possível sem a generosidade e a visão dos muitos doadores e amigos que nos ajudaram a revitalizar, proteger e reimaginar este ecossistema vital para as gerações futuras.”
(AIM)
DM
