XV Cimeira dos Chefes do Estados e Governos da CPLP
Paulino Checo, da AIM, em Bissau
Bissau, 18 Jul (AIM) – O Chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, destaca a necessidade de aprofundar a cooperação entre os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para enfrentar desafios comuns como a insegurança alimentar e conflitos que ameaçam a paz.
Chapo defendeu a asserção explicado que a fome fragiliza a população, deixando-a exposta à todo o tipo de manipulações, apontando a urgência de sinergias para que os estados-membros assegurarem a soberania alimentar como condição essencial para a segurança e paz na CPLP.
Para o estadista moçambicano, uma sociedade com segurança alimentar é mais resiliente e menos susceptível a pressões externas, numa lógica em que a soberania alimentar surge como um pilar estratégico da paz e estabilidade, especialmente num contexto marcado por vulnerabilidades sociais de vária ordem.
“Quando nós temos a população com fome ela fica vulnerável a muitas coisas, mas quando não temos fome a população com segurança alimentar, dificilmente pode ser manipulada. Portanto, contamos também com questões de segurança e achamos que o tema de soberania alimentar foi bastante importante”, disse Chapo a saída da cimeira que discutiu a porta fechada 17 pontos de agenda.
O Chefe do Estado saudou a evolução da organização, que tradicionalmente se centrava em temas políticos e linguísticos, e que agora passa a debater temas sociais como a soberania alimentar, uma abordagem essencial para o desenvolvimento sustentado dos países-membros.
Chapo garantiu que Moçambique usou o fórum para apresentar o seu plano nacional de segurança alimentar, apoiado pelo Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) e pela Política 2024–2030 (PESAN), em perfeita sintonia com a Estratégia da CPLP (ESAN-CPLP).
Durante o encontro, os estadistas da CPLP expressaram a sua profunda preocupação com conflitos armados, crises humanitárias e seu impacto directo na população civil, como fome, deslocamentos e destruição de infra-estruturas. Em resposta, reafirmaram o compromisso com a Carta das Nações Unidas, enfatizando a importância do multilateralismo, diálogo e diplomacia para prevenir conflitos e promover a paz.
No encerramento, o Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, também presidente da cimeira, exortou os Chefes de Estado a fazerem da CPLP um símbolo de solidariedade e cooperação entre os nove países-membros, especialmente nos desafios geopolíticos, climáticos e sociais.
A cimeira contou com a presença de quatro Chefes de Estado (Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe), bem como representantes de Angola, Brasil, Guiné-Equatorial e do Senegal (convidado especial).
Foi eleita também a nova Secretária Executiva da CPLP, a angolana Maria de Carmo Silveira, que assume a coordenação das acções do organismo para o próximo período.
(AIM)
PC/sg
