Foto Família: Programa do "Expondo as Tácticas da Indústria do Tabaco e Protegendo a Saúde Pública em Moçambique". Foto de Carlos Júnior
Maputo, 18 Jul (AIM) ‒ A Associação Moçambicana de Saúde Pública (AMOSAPU) manifesta o seu desagrado com as tácticas usadas pela indústria do tabaco, que apenas contribuem para a destruição de adolescentes, jovens e adultos enquanto passam imagem de bons investidores.
O sentimento foi expresso na manhã desta sexta-feira (18), em Maputo, à margem do seminário realizado pela AMOSAPU intitulado “Expondo-as tácticas da indústria do tabaco e protegendo a saúde pública em Moçambique”.
Apresentando a “visão geral das tácticas da indústria do tabaco” de um estudo realizado pela AMOSAPU, Augusto Nunes, revelou que “o fim último das tácticas da indústria do tabaco é maximizar os lucros”, enquanto a sociedade é apresentada uma imagem de responsabilidade social de uma indústria corporativa.
O presidente da AMOSAPU, João Schwalbach, mostrou-se desapontado com a postura da indústria do tabaco, que “inventou que o tabaco não é tão perigoso, criando novas formas de fumar, como é o caso do cigarro electrónico”, antes de destacar que a AMOSAPU “desde o seu início, em 1991, mostrou-se preocupado com o consumo do tabaco, tendo sido o parceiro directo que levou o Ministro da Saúde, em 2003, a assinar a Convenção-Quadro das Nações Unidas para o Controlo do Tabaco (CQCT)”.
Falando aos jornalistas, Schwalbach, revelou ver na juventude a esperança para o futuro e, por isso, a necessidade de se intensificar a consciencialização dos mais jovens sobre os riscos do consumo do tabaco.
“Tentámos sensibilizar a juventude, exactamente porque ela é a nossa esperança, e chamar atenção para o facto de termos fumadores passivos, pois quem não fuma, mas está ao lado de quem fuma, é como se fumasse. Chamamos a esses fumadores passivos. Nós vimos aqui que 14% das pessoas são fumadoras passivas e vão ficar com as mesmas doenças daquelas que fumam”, alertou.
Falando sobre a visão da AMOSAPU em relação ao tabaco, o Schwalbach sublinhou a necessidade de uma legislação contra o tabaco, pelo que apreciou a presença de deputados da Assembleia da República, convidados no evento.
“Como associação, desde o início apostamos na luta contra o tabaco e o álcool e é por isso que estão aqui os deputados, que são eles que vão legislar. É preciso substituir a cultura do tabaco pela cultura de comida. A indústria não está interessada nisso, está interessada no rendimento fácil, em lucos muito grandes e, por isso, não deixam o tabaco. Mas é possível, pouco a pouco, deixarmos o tabaco. Não achamos que de um dia para o outro vamos deixar o tabaco, não é possível” acrescentou.
Apesar de em 2003 Moçambique ter aderido à Convenção-Quadro das Nações Unidas para o Controlo do Tabaco (CQCT), o país ainda não tem uma lei contra o tabaco, senão o Decreto n.º 11/2007, de 30 de Maio, que versa sobre a venda de tabaco.
Para contornar a situação, o MISAU está a finalizar a preparação de um Anteprojecto de Lei de Controlo do Tabaco a submeter a Assembleia da República, que prevê medidas de controlo do tabaco, como a restrição para fumar em público, exigência de rotulagem em português nos cigarros, com advertência dos malefícios e bem como ilustrações, devendo ser feitas, também, no sistema Braille, e proibição de difusão de informações que minimizam os riscos do consumo do tabaco.
O anteprojecto abarca, igualmente, a posição que instituições como a Autoridade Tributária, MISAU, Ministério da Economia, da Agricultura e outros devem tomar no combate ao consumo do tabaco.
Presentes no evento, os deputados da Assembleia da República, Elisete Machava, da Frelimo e Aristides Novele, do Podemos, revelaram interesse em receber a proposta do anteprojecto de lei para debate, iniciativa que consideram oportuna para salvar a juventude dos danos advindos do tabaco.
Milena Manuel, estudante da Escola Secundária da Polana, mostrou-se feliz em aprender sobre “como impactar os que estão perdidos no consumo de tabaco, destacando o cigarro electrónico”, para quem adverte, “apesar de o sabor do cigarro electrónico aparentar ser bom, a saúde de quem consome é prejudicada”.
Participaram do seminário o MISAU, Organização Mundial da Saúde, diversas instituições de advocacia da saúde pública, parceiras da AMOSAPU, deputados da Assembleia da República e estudantes de diversas escolas secundárias da cidade de Maputo.
De acordo com o MISAU, anualmente, Moçambique gasta 11,7 mil milhões de meticais, o equivalente a 1,3% do PIB, em despesas directas e indirectas para a contenção dos efeitos do tabaco. 900 milhões são gastos em despesas associadas à saúde, 10,8 mil milhões gastos em perdas económicas indirectas, como é o caso de mortes prematuras, doenças e pausas para fumar no local de trabalho, para além de 9300 mortes anuais, por causas associadas ao tabaco.
(AIM)
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