Foto Familia: Seminário de Apresentação dos Resultados da Avaliação dos Operadores Florestais Madeireiros e da Governação Florestal. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 04 Ago (AIM) – A Direcção Nacional de Florestas afirma que a actividade de exploração florestal tem vindo a registar redução acentuada no número de operadores na ordem de 50%.
Os dados foram anunciados durante a apresentação de um documento intitulado “Relatório Técnico de Avaliação Periódica dos Operadores Florestais em Moçambique 2024 e Análise Comparativa com Resultados das Avaliações Anteriores”.
A evolução da situação dos operadores florestais no período 2015 a 2024 indica, igualmente, um decréscimo dos operadores em pleno actividade saindo de 699 em 2015 para 369 em 2024, que corresponde a 47,2 por cento. De um total de 474 operadores avaliados no ano de 2024, apenas 369 estão em pleno funcionamento e 36 estão paralisados.
Como causas da significativa redução, a Direcção Nacional de Florestas aponta a “falta de mercado e provável escassez de recursos nas áreas de certos operadores”.
A desistência de operadores impacta sobremaneira a empregabilidade no país. De 2021 a 2024 houve redução da força de trabalho nas Concessões Florestais (CF) assim como nos de Licenças Simples (LS).
Enquanto em 2021 as CF empregavam 5.193 trabalhadores, em 2024 empregavam apenas 2.742 pessoas. As LS, que empregavam 6.664 trabalhadores no ano 2021, em 2024 só empregavam 2.933. No total, de 11.857 pessoas que trabalhavam nas explorações florestais em 2021, apenas 5.675 ainda tinham emprego em 2024, ou seja, 6.182 pessoas caíram para o desemprego.
O vice-presidente da Federação Moçambicana de Operadores de Madeira (FEDEMOMA), António Da Silva, classifica o sector como “desmaiado” por “falta de boas políticas para trabalhar, ganhar dinheiro e pagar as taxas”. Da Silva revela que até Agosto corrente, nem todas as províncias emitiram licenças.
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Acrescenta, ainda, que o sector de florestas carece de preços de referências para a comercialização da madeira, razão pela qual o preço é estabelecido pelo comprador, algo que torna a actividade insustentável os operadores.
Outra realidade que fragiliza o sector, ainda de acordo com a fonte, é que “os operadores não têm sido considerados para executarem obras públicas”.
Avança como exemplo que o Estado compra carteiras feitas de madeira prensada provenientes da China, em detrimento das produzidas internamente, que possuem maior qualidade, “só porque quem compra ganha comissão”.
A relação dos exploradores de madeira e as comunidades das zonas onde decorrer a exploração da madeira não é muito salutar disse a fonte porque “as taxas que os operadores pagam, 20 por cento, não é canalizada às comunidades locais”.
O operador florestal Xavier Quive, que opera nas províncias da Zambézia e Manica, queixa-se de excesso de fiscalização, o que torna a actividade inviável.
“A fiscalização tem que ser mais flexível. Por exemplo, quando saio de Manica, e entro na província de Inhambane, sou fiscalizado em três ou quatro postos. Os postos são muitos. Em cada 10 quilómetros há um posto de controlo, isso é muito, lamentou.
“O que está a acontecer na estrada, nas nossas actividades, é que não sabemos quem fiscaliza. A lei diz que quem deve fiscalizar a madeira é a Agência Nacional para o controlo da Qualidade Ambiental (AQUA), mas o que acontece não é isto. Tem a polícia, tem bombeiros e outros, mas acho que com esta questão que vai introduzir, de selagem da mercadoria na partida, isto vai estar resolvido” acrescentou.
Avançou, ainda, que na Zambézia, onde opera, a AQUA trabalha de forma exemplar, entretanto o excesso de fiscalização complica o processo, chegando-se a ter, no mínimo, cerca de 30 postos de fiscalização entre Zambézia e Maputo.
(AIM)
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