Fundo Monetário Internacional (FMI)
Maputo, 01 Set (AIM) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomenda às autoridades moçambicanas acções decisivas para restaurar a estabilidade macroeconómica, melhorar as perspectivas de crescimento da economia, facilitar criação de mais empregos.
Um comunicado extraído do seu portal oficial, o FMI diz que uma equipa liderada pelo economista Pablo Murphy, conduziu discussões desde 21 de Agosto a sexta-feira (29) com as autoridades moçambicanas sobre os principais desafios económicos e financeiros e as políticas necessárias para apoiar a estabilidade macroeconómica, respondendo simultaneamente às necessidades urgentes de desenvolvimento e fomentando um crescimento inclusivo em termos de emprego.
No final da visita, citado no comunicado, Murphy afirma que a equipa discutiu igualmente sobre as políticas fiscais, financeiras e estruturais necessárias para sustentar a estabilidade macroeconómica e financeira, gerar emprego e impulsionar o crescimento a médio prazo.
O FMI considera que a actividade económica está a recuperar gradualmente, após uma forte desaceleração entre Outubro de 2024 a Março de 2025. A receita fiscal aumentou 2,6 por cento em termos homólogos no segundo trimestre de 2025, recuperando de uma queda de 4,2 por cento no primeiro trimestre.
Para 2025, o FMI projecta que o crescimento do PIB atinja os 2,5 por cento, com a retoma da actividade económica, especialmente no segundo semestre, impulsionada pela recuperação do sector dos serviços”.
A inflação mantém-se contida no meio de condições financeiras restritivas, e em Julho último, estava em quatro por cento, face ao período homólogo, abaixo da meta implícita de cinco por cento.
Em Janeiro de 2024, o Banco de Moçambique iniciou um ciclo de flexibilização, cortando a taxa de juro directora em 700 pontos base até hoje (para 10,25 por cento).
No final de Janeiro do ano em curso, o Banco Central também reduziu os requisitos de reserva sobre depósitos em moeda local, de cerca de 39 por cento para 29 por cento, proporcionando um maior apoio à economia.
“O défice da balança corrente no primeiro semestre de 2025, manteve-se contido em 1,3 mil milhões de dólares, reflectindo condições financeiras restritivas e escassez de divisas que pesam sobre as importações”, lê-se na nota, que acrescenta que no primeiro semestre do corrente ano, comparativamente ao mesmo período de 2024, o diferencial entre as taxas de câmbio oficial e paralela foi maior.
“O défice orçamental atingiu 2,4 por cento do PIB anual no primeiro semestre de 2025, face aos 2,8 por cento do primeiro semestre de 2024. As pressões orçamentais persistiram não só devido à redução da receita fiscal — afectada pela desaceleração da actividade económica — mas também porque as despesas do Estado continuaram a crescer a um ritmo mais acelerado, ampliando ainda mais o défice”, afirma.
A equipa do FMI acredita haver sinais emergentes de aumento do interesse dos investidores estrangeiros numa vasta gama de sectores. Neste contexto, a abordagem dos desequilíbrios macroeconómicos é essencial para libertar todo o potencial do investimento directo estrangeiro e sustentar a confiança dos investidores.
Durante a sua estada em Moçambique, a equipe do FMI manteve contactos com a ministra das Finanças, Carla Louveira, do administrador do Banco Central, Jamal Omar, com altos funcionários do Estado, parceiros de cooperação e com o sector privado.
As discussões deverão continuar nos próximos meses.
(AIM)
Ac/sg
