Maputo, 18 Set (AIM) – A vandalização de infraestruturas públicas em Moçambique provocou nos últimos quatro anos, prejuízos incalculáveis, destacando-se a Electricidade de Moçambique (EDM) com perdas acima de 300 milhões de meticais.
A revelação foi feita hoje (18), em Maputo, pela chefe do departamento de prevenção e combate à vandalização da empresa, Salmata Insa, durante o fórum dedicado ao tema.
Segundo Insa, este fenómeno representa “um crime que ameaça a economia e o bem-estar da população”, porque o valor perdido poderia ser investido na expansão da rede elétrica e no cumprimento da meta de acesso universal à energia até 2030.
A responsável explicou que os casos concentram-se sobretudo em infraestruturas com componentes de cobre, destinadas à exportação ilegal. “A EDM identificou cerca de 318 sucatarias clandestinas”, afirmou, acrescentando que Moçambique deve alinhar-se às recomendações regionais que incluem a proibição da exportação de sucata de cobre.
“Países como Eswatini, Malawi, Tanzânia e África do Sul já baniram a exportação da sucata do cobre. Não faz sentido Moçambique, que não é produtor, exportar grandes quantidades”, sublinhou.
O problema não se restringe à energia. O diretor de operações ferroviárias dos CFM-Sul, Arnaldo Manjate, revelou que o sector ferroviário também sofre com vandalizações, nomeadamente o roubo de peças de fixação. “Só este ano, na região sul, os prejuízos chegam a cinco milhões de meticais. Mas os custos das paralisações ultrapassam os dois milhões de dólares”, disse.
Na mesma linha, Manuel Mabunda, da unidade de segurança da Tmcel, destacou que a vandalização das infraestruturas de telecomunicações compromete a expansão e modernização da rede móvel. “Quando se corta um cabo de fibra ótica ou se retira uma bateria, interrompem-se comunicações vitais e os custos de reposição são elevadíssimos”, alertou.
Para Insa, é urgente que Moçambique considere a vandalização como crime público, à semelhança da Zâmbia e da Tanzânia, que aplicam penas severas. “Na Tanzânia, indivíduos que vandalizaram infraestruturas foram condenados a 40 anos de prisão”, exemplificou.
Os intervenientes no fórum defenderam maior articulação entre empresas, autoridades policiais e órgãos de justiça para travar um fenómeno que se alastra em várias províncias e ameaça diretamente a economia nacional.
(AIM)
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