Maputo, 18 Set (AIM) – Moçambique registou 575 mortes em acidentes de viação entre janeiro e agosto de 2025, o que representa um aumento de 14 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO).
A escalada da sinistralidade levou o Governo a anunciar medidas urgentes para conter a crise.
No primeiro semestre foram reportados 326 acidentes, que resultaram em 409 óbitos e dezenas de feridos graves. Dois sinistros de grande dimensão – em Chonguene (Gaza) e Xinavane (Maputo), zona sul, provocando 38 mortes e revelando o peso de eventos isolados no quadro global da sinistralidade.
As causas mais frequentes continuam a ser o excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares, fadiga dos motoristas e deficiências mecânicas. O INATRO estima que 78% dos acidentes poderiam ser evitados com maior atenção ao fator humano, através de formação, respeito pelas regras e fiscalização eficaz.
Perante o cenário, o Executivo anunciou hoje, no Workshop Nacional sobre Segurança Rodoviária, em Maputo, um Plano de Ação Imediato para 2025, que prevê, restrição da circulação noturna de transporte público entre as 21h e as 5h.
O pacote de medidas inclui ainda, fiscalização rigorosa da lotação dos veículos, formação obrigatória em segurança para condutores reincidentes, criação de pontos de descanso e uso de tacógrafos em rotas longas e reforço das inspeções automóveis, sobretudo nos travões e pneus dos veículos.
Os participantes defenderam ainda soluções complementares, como investimento em tecnologia para controlo de velocidade, instalação de radares fixos, criação de “vias inteligentes”, campanhas educativas em escolas e comunidades, e critérios mais rígidos na emissão de licenças de condução e operação de transportes coletivos.
O superintendente Fernando Maholele, da Polícia de Trânsito, revelou que, no primeiro semestre, foram realizadas 34 mil ações de fiscalização, incluindo 6.447 operações de controlo de velocidade, que resultaram em 103 detenções por corrupção. “A aplicação consistente da lei e o uso de meios tecnológicos são determinantes para travar práticas perigosas nas estradas”, sublinhou.
As autoridades concluíram apelando a um esforço conjunto entre Estado, setor privado, transportadores, sociedade civil e parceiros internacionais, sublinhando que “cada vida perdida representa um retrocesso para o desenvolvimento do país”.
(AIM)
Isabel Nhampossa/PC
