Chimoio (Moçambique) 03 Out (AIM) – Estudantes de instituições do ensino superior marcharam na manhã desta sexta-feira (03), para saudar o governo pela tomada de medidas que culminaram com o encerramento da actividades mineira na província central de Manica, em Moçambique.
A marcha surge em solidariedade à decisão que tem como objectivo salvaguardar o meio ambiente e a saúde pública.
Em causa está a poluição dos rios devido ao garimpo para a extracção do ouro, sobretudo nos distritos de Manica e Sussundenga, regiões potenciais em recursos minerais.
Os rios Révuè e seus afluentes, bem como os que desaguam na albufeira de Chicamba, principal fonte de fornecimento de água algumas cidades, vilas e povoados da província de Manica, estão contaminados com mercúrio e cianeto devido ao garimpo.
Outros rios, como Púnguè, Nhacuarara, Lucite também estão turvos por causa da mineração semi-industrial e artesanal.
Ainda esta semana, o Conselho de Ministros decidiu paralisar, com efeitos imediatos, todas as actividades mineiras na província de Manica, por um tempo indeterminado.
A porta-voz das instituições de ensino superior, em Manica, Luísa Matola explicou que a iniciativa tem como objectivo saudar o governo e ao Presidente da República, Daniel Chapo, por parar com a mineração destrutiva por estar a poluir as águas, devastar florestas e criar pobreza.
“Temos a noção das implicações económicas, principalmente para os mineradores. Mas nós, como instituição de ensino e academias, perspectivamos o futuro. É importante garantir que pare a mineração e o distrito de Manica volte a sua essência para continuarmos a produzir e assegurar que não tenhamos a poluição dos rios” afirmou Luísa Matola.
“Estamos com dificuldade de fazer pesquisas, de ter água pura até para o consumo humano. Como academia, queremos saudar e agradecer o governo pela decisão e dizer que estamos juntos neste trabalho. Percebemos há muito tempo que o processo de mineração já estava a trazer impactos negativos para o ambiente e na saúde pública. Acreditamos que esta paralisação poderá mudar este cenário”.
Por seu turno, o director provincial de Desenvolvimento Territorial e Ambiente, Rafael Manjate agradeceu a iniciativa das instituições superiores e assegurou que o governo continuará a trabalhar em defesa da saúde da população e na preservação do ambiente.
Rafael Manjate, referiu que o governo conta com o contributo da academia para a resolução dos problemas que preocupam as comunidades.
“Nos próximos tempos o governo estará a trabalhar para que, de forma organizada, encontremos soluções definitivas para acabar com a poluição de rios e tenhamos água limpa na albufeira de Chicamba” frisou Rafael Manjate.
“Neste trabalho contamos com o vosso apoio como academias. De forma ordeira, através do conhecimento, as academias fizeram o seu trabalho de investigação que culminou com a tomada desta medida. Isso é uma mais-valia para nós. A próxima fase será a limpeza dos rios. Abrir todos os canais obstruídos para que as águas dos rios corram normalmente”.
Reconheceu que a medida terá um impacto na economia da província. Todavia, segundo Rafael Manjate, é uma medida muito importante porque poderá resolver o problema de poluídos e regenerar a produção agrícola.
“O impacto económico dessa medida poderá ser maior. Sabemos que muitas famílias dependem da mineração para a sua sobrevivência, mas devemos olhar que estamos a resolvendo um problema de todos nós” disse Rafael Manjate
“Teremos melhores condições para o aumento da produção agrária, pecuária e piscícola. Portanto, mesmo o garimpo será feito de forma mais regrada para o bem da população e da nossa economia”.
Estiveram na marca estudantes da Universidade Púnguè (UNIPUNGE), Instituto Superior Politécnico de Manica (ISPM) Instituto Superior Mutasa (ISMU), Escola Superior de Jornalismo (ESJ) e a Universidade Zambeze (UNIZAMBEZE).
Durante a marcha bastante concorrida, os estudantes entoaram canções como “mineração fora, haja coragem”.
(AIM)
Nestor Magado (NM) /sg
