: Companhia mineira suspende actividades na província de Manica
Chimoio (Moçambique) 02 Out (AIM) – O governo já começou a notificar as empresas para paralisarem toda actividade de mineração de ouro na província de Manica, centro de Moçambique como forma de travar a poluição dos rios.
Para o efeito, brigadas de inspecção do Ministério dos Recursos Minerais (MIREME) composta por técnicos de outras instituições estiveram no terreno para comunicar as empresas através de documentos oficiais e testemunhar a suspensão das actividades esta quinta-feira (02),.
São no total 37 empresas e duas cooperativas que poderão ser notificadas para suspender a actividade, incluindo exploradores artesanais.
A suspensão surge em cumprimento da decisão tomada pelo governo, na última sessão do Conselho de Ministros que decorreu na última terça-feira. A decisão tem efeitos imediatos, como anunciou o governo.
Devido a actividade de garimpo, alguns rios da província de Manica, principalmente nos distritos de Manica e Sussundenga estão poluídos, constituído um perigo a saúde pública.
A poluição também afecta a albufeira de Chicamba, principal fonte de abastecimento de água potável as cidades de Chimoio, Manica e a vila de Gondola, bem como os povoados de Messica e Bandula.
O delegado Provincial da Inspecção Geral dos Recursos Minerais e Energia (IGREME), Ângelo Pinto explicou, hoje, que estão a ser notificados os representantes de algumas empresas para a entrega das ordem de suspensão de actividades.
Até ao fim da tarde de hoje, primeiro dia da actividade foram notificadas 15 empresas.
“Pensamos que até próxima terça-feira todas as empresas sejam notificadas. Esse conhecimento também estamos a dar algumas cooperativa de exploradores que serão abrangidas pelo processo de paralisação. O que pretendemos é que os cidadãos cumpram com as orientações e facilitem o nosso trabalho. Muitas empresas estão localizadas ao longo do rio Révuè que fornece água a albufeira de Chicamba”, explicou Ângelo Pinto.
Sobre os exploradores artesanais, embora estejam abrangidos pela decisão ministerial, Pinto explicou que haverá um mecanismo de comunicação para a paralisação da actividade.
“Agora estamos a trabalhar com as empresas e associações de garimpeiros. Depois haverá uma outra articulação com os exploradores artesanais (individuais) sobre os mecanismos de paralisação. Estamos a falar de exploradores que estão ao longo do rio Révuè e seus afluentes. É uma actividade que vai abranger os distritos onde decorrer a actividade mineira” disse.
Ângelo Pinto explicou que as actividades permissível neste momento são apenas a manutenção de equipamentos e protecção da área desde que não seja extracção.
“Nenhuma empresa deverá exercer qualquer actividade sem que nos comunique. Não queremos, nos nosso trabalhos de inspecção, encontrar uma firma a extrair ouro”.
A reportagem da AIM esteve hoje, no distrito de Manica e escalou a zona mineira onde constatou que as actividades de exploração de ouro estão totalmente paralisadas.
Apenas eram visíveis máquinas escavadoras e outros equipamentos inoperacionais.
Os garimpeiros artesanais também deixaram de exercer a extracção de ouro, em cumprimento de decisão do Conselho de Ministros.
Ernesto Paulino Beta, faz garimpo artesanal há mais de 15 anos e disse ser do ouro que a sua família sobrevive.
A paralisação é bem vida, embora constitua um desafio para si, por ser a única fonte de renda para a sua família. No entanto, é necessário para a reorganização dos próprios exploradores.
“Não estamos contra a paralisação das actividades. É uma decisão que poderá permitir que nos organizemos para uma melhor exploração. Mas gostaríamos que a actividade não fosse proibida para sempre porque temos famílias que precisam do ouro para sobreviver” disse Ernesto Beta.
“O governo deveria paralisar e permitir que cada um se reorganize. Depois ir uma equipe para cada local e ver. Aquele que estiver organizado é que poderá retomar a actividade. Paralisar totalmente a actividade é deixar a juventude ao desespero e isso poderá ter um impacto muito complicado nas comunidades”, referiu Ernesto Beta.
A mineração do ouro na província de Manica, principalmente no distrito de Manica atrai dezenas de milhares de pessoas sobretudo jovens, entre nacionais e estrangeiros.
O ouro é extraído nos distrito de Manica, Sussundenga, Vanduzi, Macossa, Báruè e Gondola.
(AIM)
Nestor Magado (NM) /sg
