Maputo, Out 10 (AIM) – O Ministro da Saúde, Ussene Isse, anunciou, esta quinta-feira, em Maputo, a criação do “Mês da Planificação”, uma iniciativa inovadora que visa reforçar a coordenação, eficiência e transparência na execução das políticas públicas de saúde, garantindo uma resposta mais eficaz e integrada às necessidades da população moçambicana.
A medida tem como objectivo institucionalizar um período anual de planificação conjunta, envolvendo todos os níveis do Sistema Nacional de Saúde, ou seja do distrito ao nível central para definir prioridades de forma articulada e sustentável.
O ministro explicou que o novo modelo permitirá alinhar as acções do sector, optimizar recursos e assegurar que a planificação reflicta as reais necessidades das comunidades.
“Decidimos que, a partir de 2026, o sector da saúde de Moçambique vai implementar o Mês da Planificação. Durante este período, o país vai concentrar esforços na planificação integrada, envolvendo o sector público, o sector privado e a sociedade civil, de modo a garantir que as decisões e investimentos em saúde sejam orientados para resultados concretos e de impacto”, afirmou Ussene Isse, na abertura do 50º Conselho Coordenador de Saúde.
O dirigente sublinhou que a decisão decorre da necessidade de consolidar um Sistema Nacional de Saúde mais forte, robusto e eficiente, capaz de responder aos desafios emergentes, incluindo o triplo fardo das doenças transmissíveis, não transmissíveis e traumáticas.
“Se não tivermos uma boa planificação, fracassaremos enquanto sistema. Cada metical executado deve ser aplicado com transparência e foco na resolução dos principais problemas da nossa população”, alertou.
Durante a sua intervenção, o ministro exortou os profissionais e gestores do sector a liderarem pelo exemplo, aproximando-se das comunidades e promovendo uma cultura de escuta activa.
“Precisamos de sair dos gabinetes e estar junto das populações, comer com elas, ouvir as suas preocupações e transformar essas vozes em soluções concretas. Esta reunião não é apenas mais um encontro; é o ponto de partida para decidirmos o acesso universal à saúde”, frisou.
Isse destacou ainda a importância da humanização dos serviços como eixo central das políticas públicas de saúde. “O ritmo do coração dos profissionais de saúde deve acompanhar o ritmo do coração dos doentes. Temos de servir com empatia, bondade e respeito. O nosso maior valor é a vida, e a nossa missão é protegê-la com dedicação e humildade”, enfatizou.
Por seu turno, a representante dos parceiros de cooperação do sector, Nélida Cabral, enalteceu o empenho do Governo de Moçambique na consolidação de um sistema de saúde mais inclusivo e humanizado, destacando os avanços alcançados nos últimos anos, fruto de uma parceria sólida entre o Ministério da Saúde (MISAU) e os parceiros de cooperação.
Cabral sublinhou que o país regista progressos significativos na construção de um sistema de saúde de qualidade, mencionando, entre outros marcos, a aprovação da Lei de Bases do Sistema Nacional de Saúde, o Plano Integrado de Infra-estruturas, Equipamentos e Recursos Humanos e o Plano de Eliminação da Cólera.
“O investimento do Governo de cerca de 234 milhões de meticais, equivalentes a 3,7 milhões de dólares, em planeamento familiar, é uma acção estratégica que demonstra a vontade política e o compromisso com o bem-estar das famílias moçambicanas. Estes esforços reflectem uma visão de longo prazo para um sistema de saúde mais inclusivo, eficiente e centrado nas pessoas”, afirmou a representante.
O 50º Conselho Coordenador de Saúde, que decorre durante dois dias na cidade de Maputo, realiza-se sob o lema “Por um Serviço de Saúde de Qualidade e Humanizado para Todos” e conta com a participação de quadros do MISAU, representantes da Secretaria de Estado na Cidade de Maputo, do Conselho Municipal de Maputo e de diversos parceiros de cooperação.
(AIM)
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