Maputo, 3 de Agosto (AIM) — O Ministério da Saúde (MISAU) exigiu esta segunda-feira aos parceiros de cooperação um maior alinhamento com as prioridades do sector da saúde em Moçambique, alertando para o risco de investimentos elevados em actividades consideradas secundárias, enquanto persistem carências de materiais essenciais nas unidades sanitárias.
O Ministro da Saúde, Ussene Isse, defendeu que os recursos disponibilizados pelos parceiros devem responder, em primeiro lugar, às necessidades concretas dos doentes, apontando como exemplo a falta de medicamentos, luvas, material de penso e outros consumíveis indispensáveis para o funcionamento dos hospitais.
Segundo o governante, as autoridades sanitárias têm enfrentado dificuldades para obter apoio em áreas consideradas urgentes, enquanto algumas intervenções continuam direccionadas para actividades como seminários, conferências e trocas de experiências, sem impacto directo na prestação de cuidados de saúde.
A posição foi apresentada durante a Reunião Bianual do Sector da Saúde (RBSS) 2026, um fórum multissectorial que reúne o Governo e parceiros de cooperação para avaliar os progressos alcançados, discutir desafios e definir consensos sobre as prioridades para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde.
Ussene Isse sublinhou que o cidadão moçambicano não exige muito do sistema de saúde, mas espera encontrar uma unidade sanitária funcional, com profissionais disponíveis, atendimento digno e tratamento baseado no amor, bondade, ética e humanização.
“Quando nós mudamos os nossos planos e colocamos o peso em reuniões, formações, pacotes de conferências e seminários, depois não há resultado”, afirmou o ministro.
Para Isse, o desempenho das autoridades sanitárias não será avaliado pelo número de encontros realizados em locais como Macaneta, Ponta de Ouro ou Bilene, mas sim pela capacidade de garantir serviços de saúde eficazes à população.
“O país não tem recursos, esse é que é o problema. A saúde tem que estar centrada nos doentes, nas pessoas, e não nos profissionais que se dedicam a andar toda hora de um lado para outro em reuniões”, declarou.
O ministro revelou ainda que existem situações em que, ao chegar a determinados distritos, se verifica a ausência prolongada de médicos e enfermeiros nas unidades sanitárias, deixando populações sem assistência quando procuram atendimento.
Apesar das críticas, Ussene Isse esclareceu que o Governo não é contra a realização de reuniões ou seminários, mas defende uma mudança de paradigma e maior clareza sobre a aplicação dos recursos destinados ao sector.
“Às vezes temos rupturas de stock, não temos luvas, não temos material de penso, mas quando vamos ter com o parceiro e dizemos que precisamos de ajuda para comprar luvas, material de penso e medicamentos, isso não é considerado prioridade. De repente entra uma proposta de quatro, cinco, seis ou sete milhões de meticais para formação em Macaneta, Ponta de Ouro ou Bilene, e eu, como ministro da Saúde, não autorizo”, afirmou.
O dirigente reforçou que, neste momento, a prioridade deve ser o cidadão que se encontra nos hospitais à espera de medicamentos e assistência médica.
“Não estamos a perseguir nem a combater ninguém, mas queremos alinhamento com aquilo que são as prioridades do nosso país. A nossa missão é fortalecer vidas nos hospitais”, disse.
A RBSS 2026 contou com a participação de vários parceiros de cooperação, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), agências das Nações Unidas, UNICEF, FNUAP, Banco Mundial, Troika do Governo dos Estados Unidos da América (USG), Global Fund e representantes diplomáticos, cuja presença foi destacada como fundamental para reforçar o alinhamento estratégico com o MISAU.
O encontro coincidiu igualmente com o fim do mandato do representante da OMS em Moçambique, Severin Xylanders, passando a representação da organização no país a ser assumida por Patrick Empey, embaixador da Irlanda e Head of Mission (HOM).
(AIM)
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