Maputo, 09 Jan (AIM) – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está a monitorar de forma contínua as cheias e inundações que afectam as regiões centro e norte de Moçambique, com vista a avaliar as necessidades urgentes de crianças e famílias vulneráveis.
Neste momento, o UNICEF, em coordenação com parceiros, está a avaliar as necessidades urgentes das crianças e famílias afectadas, bem como analisar o impacto das cheias para determinar o apoio necessário.
Segundo a organização, serão fornecidos suplementos de água, saneamento e higiene aos distritos mais afectados e em risco, permitindo o tratamento de água em fontes contaminadas e ao nível doméstico, beneficiando pelo menos 13 mil famílias.
O fenómeno ocorre num contexto em que os choques climáticos ameaçam agravar a desnutrição e desencadear uma nova emergência humanitária.
A organização refere em comunicado que Moçambique continua a enfrentar níveis elevados de desnutrição infantil, sobretudo entre crianças menores de cinco anos.
Segundo a nota, a situação é agravada por factores estruturais como a pobreza, insegurança alimentar, acesso limitado a serviços básicos de saúde, água potável e saneamento, bem como pela elevada exposição a eventos climáticos extremos.
As províncias do centro e norte são as mais afectadas, sendo recorrente os impactos das cheias durante a época chuvosa.
Apesar dos desafios, o UNICEF reporta avanços significativos na província de Sofala, zona centro, onde foi alcançada uma redução de 35 por cento da desnutrição crónica severa em crianças menores de cinco anos.
“Juntos reduzimos 35 por cento da desnutrição crónica severa em crianças menores de cinco anos”, refere o UNICEF, destacando o impacto das intervenções integradas em nutrição, água, saneamento e higiene.
No âmbito das suas acções, a organização apoiou cerca de 650 mil pessoas com acesso a água potável, garantiu serviços de nutrição a mais de 400 mil crianças e contribuiu para que mais de duas mil comunidades fossem declaradas livres do fecalismo a céu aberto. Estes números reflectem progressos importantes na prevenção de doenças e na melhoria das condições de vida das populações mais vulneráveis.
Contudo, com o início da época chuvosa de 2026, as inundações colocam em risco a vida das crianças e os serviços essenciais de que dependem, incluindo centros de saúde, sistemas de abastecimento de água e escolas.
A UNICEF alerta que a contaminação das fontes de água e o deslocamento de famílias podem provocar surtos de doenças e retrocessos nos ganhos alcançados.
(AIM)
Paulino Checo/ sg
