Criança tenta resgatar o pouco que restou em sua casa em Maputo, Foto de Carlos Júnior
Maputo, 15 Jan (AIM) – A capital moçambicana, Maputo, vive dias de aflição, face as chuvas intensas que, nos últimos dias, voltaram a inundar vastas zonas dos bairros periféricos, deixando centenas de famílias desalojadas e casas submersas.
As chuvas persistentes continuam a causar sérios transtornos nos bairros, com destaque para Maxaquene, Hulene e Polana Caniço, onde as águas atingem níveis alarmantes, chegando quase à altura das janelas das habitações precárias que caracterizam estas zonas.
A deficiente rede de drenagem, aliada à fraca capacidade de escoamento das águas pluviais, transforma ruas em autênticos “rios”, obrigando inúmeras famílias a abandonar as suas residências por falta de condições mínimas de habitabilidade.
Em alguns pontos, os acessos estão completamente interrompidos, dificultando a mobilidade das populações afectadas.
Sem alternativas, muitos moradores circulam no meio das enxurradas, expondo-se a elevados riscos sanitários, desde doenças de origem hídrica até acidentes provocados por valas abertas e resíduos submersos.
O cenário torna-se ainda mais preocupante com a presença de crianças que, alheias ao perigo, brincam nas águas que atingem a altura dos joelhos.
Em conversa com a reportagem da AIM, Ivo Salvador, residente no bairro de Maxaquene “B”, descreveu o drama vivido pela sua família nos últimos dias.
“Aqui a situação é esta que estão a ver. Não dormimos há três dias. Os meus irmãos já abandonaram a zona e não conseguiram recuperar nada. Está tudo dentro da água”, lamentou.
Face à gravidade da situação, o Município de Maputo iniciou acções para a mitigação do impacto das chuvas.
Desde quarta-feira, o edil da capital, Rasaque Manhique, encontra-se no terreno a acompanhar a evolução das cheias e das inundações urbanas, orientando intervenções pontuais com vista a reduzir o sofrimento das comunidades afectadas.
Entre as medidas adoptadas, destaca-se a abertura de um canal de escoamento de águas pluviais na zona do Mini-Golf, no distrito municipal Ka Maxaquene, uma intervenção que foi acolhida com muita mereceu satisfação pelos munícipes.
Segundo o Conselho Municipal de Maputo, esta acção permitiu melhorar o escoamento imediato da água, reduzir os alagamentos, prevenir danos materiais e garantir maior segurança e mobilidade naquele ponto crítico da cidade.
Ainda assim, a recorrência das inundações reacende o debate sobre a necessidade urgente de investimentos estruturais e duradouros no sistema de drenagem urbana, sobretudo nos bairros periféricos, onde a vulnerabilidade é maior.
O Conselho Municipal assegura que continua a trabalhar de forma preventiva e permanente, reforçando a limpeza de canais, valas e sistemas de drenagem em toda a cidade, para minimizar os impactos das chuvas que, segundo previsões, poderão continuar nos próximos dias.
(AIM)
Paulino Checo/ sg
