Erosão na Estrada Nacional N1- Palmeira. Foto de Carlos Júnior
Manhiça (Moçambique), 15 Jan – Um deslizamento de terras, provocado por chuvas intensas que continuam a fustigar o sul do país, está a condicionar a circulação na Estrada Nacional Número Um (EN1), no distrito da Manhiça, província de Maputo, em Moçambique.
O facto foi constatado esta quinta-feira (15) pela reportagem da AIM, durante uma ronda de monitoria ao impacto das chuvas, no troço compreendido entre a vila da Manhiça e Palmeiras, na localidade de Maxiana, posto administrativo de 3 de Fevereiro.
A enorme quantidade de areias e terras arrastadas das zonas mais altas para a faixa de rodagem reduziu a circulação a apenas uma via, obrigando à adopção do sistema “stop and go”, com filas de viaturas nos dois sentidos.
A EN1, principal artéria que liga o norte e o sul do país, transforma-se, neste ponto, num no de estrangulamento, aumentando os riscos numa zona conhecida pelos frequentes acidentes de viação, muitos deles com consequências fatais.
O cenário preocupa automobilistas, camionistas e transportadores semi-colectivos, que circulam naquela via sob chuva intermitente.
“Como podem ver a situação é esta. Toda a areia desceu e fechou a estrada e condiciona a circulação”, referiu um automobilista à AIM.
Numa tentativa improvisada de aliviar o caos, cerca de uma dezena de jovens locais dedica-se à remoção manual das areias acumuladas, cobrando valores aos automobilistas para permitir a passagem.
Apesar do esforço, o volume de terras continua a crescer dos bairros altos circundantes.
As chuvas persistem no distrito da Manhiça, onde vários bairros já se encontram alagados.
Na quarta-feira, o governador da província de Maputo, Manuel Tule, acompanhado por uma delegação multissectorial, visitou a região para avaliar os estragos, confortar as comunidades afectadas e assegurar a presença do Estado face à emergência.
Para além dos transtornos rodoviários, os impactos estendem-se ao sector produtivo.
Campos agrícolas encontram-se inundados desde a Manhiça até 3 de Fevereiro, comprometendo culturas de milho e mandioca, num distrito onde a agricultura constitui a principal actividade económica e de subsistência.
Acresce ainda a subida preocupante dos caudais dos rios que atravessam a EN1 entre Manhiça e Incoluane, aumentando o risco de inundações e agravando a vulnerabilidade de uma região já duramente castigada pelas intempéries.
(AIM)
Paulino Checo/sg
