Barco de resgate de pessoas
Maputo, 16 Jan (AIM) – O Governo moçambicano decidiu activar, com efeitos imediatos, o alerta vermelho em todo o território nacional, na sequência das cheias e inundações provocadas pela actual época chuvosa e ciclónica, que já causou pelo menos 103 mortes e afectaram mais de 673 mil pessoas.
A decisão foi tomada esta sexta-feira (16), durante a segunda sessão extraordinária do Conselho de Ministros, convocada para avaliar a evolução da situação hidrológica nacional, com maior incidência na cidade e província de Maputo, bem como nas províncias de Gaza, Inhambane, Sofala e Manica.
Falando à imprensa no termo da sessão, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, explicou que a activação do alerta vermelho visa “assegurar uma coordenação centralizada na resposta imediata aos desastres, reforçar a mobilização de meios a diferentes níveis e flexibilizar os mecanismos formais de gestão para a rápida implementação das medidas ajustadas ao momento”.
Segundo Impissa, o Governo vai destacar, a partir desta sexta-feira, brigadas multissectoriais para prestar assistência às populações afectadas. “As brigadas serão encabeçadas por membros do Conselho de Ministros e, em algumas situações, haverá necessidade do recurso a meios aéreos, incluindo o estabelecimento de uma ponte aérea”, precisou.
Na província de Gaza, a situação é considerada particularmente preocupante. “Pelo menos 80 pessoas encontram-se sitiadas desde a tarde de ontem e necessitam de apoio urgente”, revelou o porta-voz.
Num outro desenvolvimento, o Governo anunciou a retirada imediata e incondicional das populações que vivem ao longo da bacia do rio Umbelúzi, tendo em conta a previsão de início de descargas a partir das 15 horas desta sexta-feira (16) pelo facto de a barragem ter atingido perto de 100 por cento da capacidade de enchimento.
“O Governo determinou a retirada imediata e incondicional das pessoas que vivem ao longo da bacia do Umbelúzi, tendo em conta que as descargas poderão iniciar-se a partir das 15 horas de hoje”, afirmou Impissa.
Dados apresentados na sessão indicam que, desde o início da época chuvosa, foram totalmente destruídas 1.160 casas e cerca de quatro mil ficaram parcialmente danificadas em todo o território nacional.
As principais bacias hidrográficas continuam a registar um aumento significativo do caudal, elevando o risco de novas cheias e inundações.
No período compreendido entre 22 de Dezembro de 2025 e 15 de Janeiro de 2026, o país registou oito óbitos adicionais, elevando para 103 o número total de mortes associadas à presente época chuvosa. As mortes resultaram de fenómenos como descargas atmosféricas, electrocussão, afogamentos, desabamento de paredes, queda de árvores, incêndios e casos de cólera.
Face ao agravamento do quadro, o Governo reiterou o apelo às populações residentes em zonas de risco, sobretudo nas regiões Sul e Centro do país, para que abandonem, de forma preventiva, as áreas susceptíveis a cheias e inundações.
“O Governo da República de Moçambique apela a todos os cidadãos para que acatem os avisos e mensagens difundidos pelas entidades competentes, com vista à salvaguarda de vidas humanas”, concluiu o porta-voz.
(AIM)
NL/ sg
