Primeira-ministra, Benvinda Levi, visita ao centro de acolhimento da Escola Básica 19 de Outubro
Boane (Moçambique), 22 Jan (AIM) – A Primeira-ministra, Benvinda Levi, defendeu hoje, no distrito de Boane, o reassentamento das populações que vivem em zonas de risco e apelou à colaboração das comunidades afectadas pelas cheias, como forma de prevenir perdas humanas no futuro.
Falando esta quinta-feira (22), durante uma visita ao centro de acolhimento da Escola Básica 19 de Outubro, que alberga 436 famílias, correspondentes a um total de 1.440 pessoas, Levi explicou que o Governo está a conduzir um levantamento exaustivo das famílias ali acolhidas, com particular atenção às crianças em idade escolar, às mulheres grávidas e às mães com bebés recém-nascidos, bem como à situação vacinal das crianças.
Segundo a governante, o registo em curso permitirá não só conhecer com exactidão o número de pessoas acolhidas, a sua idade e proveniência, mas também identificar aquelas que perderam documentos pessoais durante as inundações, criando uma base de dados que facilitará a intervenção dos serviços competentes, nomeadamente do registo civil e do sector da saúde.
A Primeira-ministra sublinhou que o acompanhamento sanitário está assegurado no centro, com equipas de saúde a monitorarem regularmente o estado das mães e crianças, acrescentando que este trabalho deverá prosseguir mesmo após o processo de reassentamento das famílias.
Levi referiu que, em várias zonas visitadas, as águas começam a baixar, o que permite encarar, de forma gradual, a retoma da vida normal. Acrescentou que, em algumas áreas, as cheias não afectaram directamente as colheitas, o que cria condições para a continuidade da produção agrícola, incentivando as populações a relançarem as actividades produtivas assim que as condições o permitam.
A governante recordou que as cheias constituem um fenómeno natural recorrente no país, em particular nas zonas situadas ao longo das bacias hidrográficas, defendendo, por isso, a necessidade de as populações e as autoridades locais trabalharem em conjunto para a adopção de medidas preventivas, como a limpeza atempada das valas de drenagem e o respeito pelas orientações das autoridades em períodos de maior risco.
“Quando as autoridades avisam que as chuvas estão a chegar, é importante que as pessoas aceitem deslocar-se para locais seguros em tempo útil para evitar a perda de vidas humanas”, frisou.
Levi apelou igualmente à abertura e colaboração das comunidades sempre que as autoridades se aproximem para promover deslocações preventivas, sublinhando que o objectivo não é alterar a vida das pessoas, mas sim proteger famílias inteiras e salvaguardar bens construídos ao longo de uma vida.
A Primeira-ministra destacou ainda a existência de planos de recuperação e reconstrução já testados no país, citando como exemplo o Plano de Recuperação pós-Idai, defendendo que tais instrumentos podem ser adaptados às actuais circunstâncias, sendo o principal desafio a mobilização de recursos para a sua implementação.
Na ocasião, Levi reiterou o papel central do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) na coordenação da assistência humanitária, apelando para que todo o apoio destinado às vítimas das cheias seja canalizado através desta instituição, de modo a garantir uma distribuição equitativa e eficaz.
A governante reconheceu que a assistência disponível não é suficiente para cobrir todas as necessidades, mas assegurou tratar-se do máximo possível nas actuais circunstâncias, agradecendo a solidariedade manifestada por cidadãos nacionais e estrangeiros em apoio às populações afectadas.
(AIM)
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