Barragem de Senteeko, localizada na vizinha África do Sul. Fonte The Citizen
Maputo, 22 Jan (AIM) – O Governo moçambicano afirma que persiste o risco de novas inundações em pelo menos três distritos da província meridional de Maputo, devido aos elevados caudais da Barragem de Senteeko, localizada na vizinha República da África do Sul, cuja estabilidade estrutural continua comprometida.
Construída no rio Crocodilo, um dos principais afluentes do rio Incomáti, a Barragem de Senteeko possui uma capacidade de armazenamento estimada em cerca de 1,8 milhões de metros cúbicos. Contudo, na sequência das chuvas intensas registadas nas últimas semanas, a infra-estrutura ultrapassou os seus limites de segurança e, em caso de ruptura, poderá gerar um caudal de pico entre 2.300 e 2.500 metros cúbicos por segundo no posto administrativo de Ressano Garcia, distrito de Moamba, com possibilidade de atingir o distrito de Magude, ambos na província de Maputo.
Uma nota do Governo enviada hoje à AIM refere que a eventual ruptura poderá afectar directamente os distritos de Moamba, Magude e Manhiça, que actualmente se encontram submersos em consequência das chuvas intensas que se abateram sobre a região sul do país.
“Por isso, continuamos a apelar às populações que se encontram na bacia do Incomáti, concretamente nos distritos de Moamba (Ressano Garcia), Magude e Manhiça, a acatarem rigorosamente as orientações das entidades competentes”, lê-se no comunicado.
Entre 10 de Dezembro último e domingo (18), as autoridades resgataram pelo menos 4.172 pessoas nos distritos de Magude, Manhiça e Boane, recorrendo a 14 embarcações, cinco helicópteros e 28 especialistas em busca e salvamento.
Entretanto, as bacias hidrográficas dos rios Maputo, Umbelúzi, Incomáti, Limpopo, Inhanombe, Mutamba e Save, no sul do país, continuam a registar volumes elevados de escoamento, embora com tendência de redução, mantendo-se ainda acima do nível de alerta.
A situação continua a provocar inundações em zonas baixas e ribeirinhas, sobretudo nas bacias do Umbelúzi, Incomáti e Limpopo, condicionando a transitabilidade na Estrada Nacional Número Um (EN1).
Desde 10 de Dezembro de 2025, as chuvas intensas causaram pelo menos duas mortes, um ferido e afectaram mais de 79 mil pessoas, tendo igualmente provocado a inundação de 42.931 casas.
As barragens dos Pequenos Libombos e da Corrumana, na província de Maputo, bem como a de Massingir, na província de Gaza, registam redução dos níveis de armazenamento, podendo atingir as cotas de segurança nas próximas 72 horas.
No sector pecuário, a província de Gaza registou, até terça-feira (21), a perda de 55.835 cabeças de gado bovino, 7.749 caprinos e 1.237 ovinos. Por seu turno, a província de Maputo contabilizou a perda de 47.190 bovinos, 23.362 caprinos e 7.920 suínos, afectando um total de 4.337 criadores.
A época chuvosa e ciclónica teve início em Outubro de 2025 e deverá prolongar-se até Abril próximo.
(AIM)
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