Chuvas fortes
Manica: chuvas isolam quatro mil famílias em Inhazónia
Chimoio (Moçambique), 24 Jan (AIM) – Cerca de quatro mil famílias da localidade de Inhazónia, no distrito de Báruè, província central de Manica, encontram-se isoladas por via terrestre após o desabamento da ponte sobre o rio Inhazónia, provocado pela fúria das chuvas que continuam a fustigar a região centro do país.
A situação deixou a população privada de serviços básicos, com destaque para saúde e educação, além da paralisação total da actividade comercial local.
Não há circulação de viaturas com mercadorias nem entrada de produtos alimentares, agravando as dificuldades das famílias afectadas. Para além da destruição da ponte, as enxurradas devastaram extensas áreas agrícolas com culturas diversas.
O ministro da Economia e mandatário do Presidente da República de Moçambique, Basílio Muhate, que trabalhou sexta-feira (23) no distrito de Báruè, apelou à mobilização urgente de apoio para mitigar o sofrimento da população isolada.
“É urgente que se encontrem alternativas para ajudar aquelas famílias que, neste momento, estão isoladas do resto do distrito e da província. Não têm assistência em saúde, educação nem acesso ao mercado”, afirmou.
Segundo o governante, o governo distrital e provincial já estão a articular acções de emergência para prestar assistência imediata às famílias afectadas.
“Acreditamos que estão a enfrentar muitas dificuldades, pelo que a resposta deve ser rápida para aliviar o sofrimento da população”, sublinhou.
Basílio Muhate assegurou ainda que será desencadeado, numa fase seguinte, um trabalho técnico para a reposição da ponte ou abertura de vias alternativas, de modo a restabelecer a circulação de pessoas e bens.
“A ideia é reabilitar a ponte metálica ou criar desvios, como medida paliativa. Posteriormente, vamos mobilizar apoios para uma solução definitiva, de forma a evitar situações semelhantes no futuro. Para além desta ponte, várias outras infra-estruturas foram afectadas na província de Manica”, explicou.
Desde o início da época chuvosa, no final de Outubro passado, as chuvas acompanhadas de ventos fortes já causaram pelo menos 27 mortos na província de Manica, além de vários feridos.
As vítimas resultaram de descargas atmosféricas, arrastamento por enxurradas e desabamento de residências e outras infra-estruturas.
“O nosso maior apelo é para que a população abandone as zonas de risco e se desloque para locais seguros. Apesar do recente abrandamento das chuvas, estas podem voltar, pelo que é importante estarmos preparados para evitar a perda de vidas humanas e bens materiais”, advertiu.
Outro sector duramente afectado, segundo o governante, é a agricultura familiar.
“Estamos a trabalhar para que a população aproveite a segunda época da campanha agrícola 2025/26. Está em curso um levantamento para avaliar o nível das perdas. O abrandamento da chuva cria condições para uma melhor organização e um plano de gestão mais eficiente”, concluiu.
(AIM)
Nestor Magado (NM) /sg
