Campos de cana-de-açúcar destruídos pelas cheias no distrito de Magude, província de Gaza
Magude (Moçambique), 29 Jan (AIM) – O distrito de Magude, província de Maputo, zona sul de Moçambique, enfrenta uma crise agrícola devido a perda de cera de oito mil hectares de cana doce, uma das principais culturas de rendimento do distrito.
A confirmação foi feita pela administradora distrital, Mariana Cupane, em entrevista à AIM, descrevendo um cenário marcado por cheias e chuvas intensas que arrasaram campos agrícolas, destruíram habitações e deixaram centenas de famílias em situação de extrema vulnerabilidade.
As cheias que assolaram o distrito de Magude provocaram perdas na produção agrícola local, com destaque para a cana doce, cultura estratégica para a economia familiar e para a cadeia agro-industrial da região.
Segundo a administradora, além dos oito mil hectares de cana totalmente perdidos, mais de dois mil hectares de outras culturas agrícolas foram igualmente devastados.
“Estávamos confiantes de que neste ano teríamos a agricultura com bons resultados, mas acabamos com vários campos destruídos. Estamos a falar de pouco mais de dois mil hectares de produção totalmente perdidos e oito mil hectares de produção de cana totalmente perdidos. Portanto, foi devastador para aquilo que é a nossa produção local, aquilo que é o nosso sustento local”, afirmou Cupane.
A cana doce representa uma das principais fontes de rendimento para centenas de produtores de Magude e dos distritos vizinhos, particularmente Xinavane, onde se localiza a açucareira que absorve grande parte da produção.
A ligação histórica entre Magude e Xinavane na produção e comercialização da cana doce remonta a várias décadas, sendo esta cultura um pilar da economia local, responsável pela geração de emprego e circulação de rendimento nas comunidades rurais.
Com a perda da produção, muitos agricultores locais e de Xinavane enfrentam agora um cenário de incerteza, agravado pela destruição de infra-estruturas sociais.
De acordo com a administradora, cerca de 300 famílias tiveram as suas casas totalmente destruídas, enquanto duas escolas perderam o tecto, afectando directamente o normal funcionamento das actividades numa altura de matrículas.
“Foi devastador, sem contar com as casas que foram destruídas. Neste momento contamos com cerca de 300 famílias que têm as suas casas totalmente destruídas e duas escolas que perderam o seu tecto”, sublinhou.
Para além da cana doce, culturas alimentares essenciais foram igualmente afectadas, deixando muitas famílias sem reservas de semente e sem alimentos suficientes.
As autoridades distritais reconhecem que o drama vivido nos campos de produção exige respostas urgentes, incluindo apoio em sementes e estratégias de reassentamento.
Entre as medidas em estudo, destaca-se a necessidade de um plano de ordenamento territorial que retire a população das zonas baixas e de risco, frequentemente afectadas por cheias.
“Não podemos todos os anos enfrentar este tipo de cheias e as mesmas pessoas a sofrerem. Temos de reassentar a população e melhorar a comunicação para que, para pararem com a produção quando houver indicações de cheias”, explicou Mariana Cupane.
Enquanto isso, Magude tenta erguer-se dos prejuízos, num esforço conjunto para salvar meios de subsistência e reconstruir a esperança de centenas de famílias afectadas pelas cheias.
(AIM)
Paulino Checo/sg
