Centenas de cidadãos aguardam na fila a espera de fazer a travessia do rio Limpopo
Xai-Xai (Moçambique), 30 Jan (AIM) — As cheias no rio Limpopo estão a forçar centenas de pessoas a concentrarem-se no Baixo Limpopo, em Gaza, onde aguardam há vários dias por uma travessia fluvial improvisada que lhes permita chegar à ponte de Xai-Xai e, posteriormente, seguir viagem para Maputo.
O Baixo Limpopo encontra-se severamente inundado, com várias residências completamente submersas e, em situações menos graves, apenas cerca de um metro abaixo do tecto das casas ainda visível, expondo a vulnerabilidade das populações que tentam retomar a rotina diária.
Na longa fila para os barcos, a AIM ouviu relatos de cidadãos que ali permanecem há dias. Um homem proveniente da província de Inhambane, que preferiu o anonimato, disse estar no local há três dias na tentativa de chegar a Maputo para trabalhar.
“Este é o meu terceiro dia aqui. Tenho de ir trabalhar em Maputo, mas com a estraga cortada fica impossível”, afirmou, visivelmente desanimado, acrescentando que muitos dos presentes recusam falar à AIM, alegando que “todos sabem como estamos”.
Para a travessia, estavam disponíveis quatro embarcações pertencentes a particulares, que cobram 500 meticais por pessoa. Contudo, alguns operadores exigem 600 meticais para permitir a travessia sem necessidade de permanecer na fila.
“Aqui paga-se 500 meticais mas o problema é a fila. Nós, lá do outro lado, cobramos 600 meticais e as pessoas não ficam na fila”, explicou um dos jovens responsáveis por angariar clientes para as embarcações que, segundo relatos dos populares, operam sem coletes salva-vidas, ao contrário das embarcações que cobram 500 meticais.
Questionados sobre o percurso até Maputo, os jovens indicaram que a travessia inicia no Baixo Limpopo até à ponte de Xai-Xai, seguindo-se uma viagem de carro até Incoluane, depois uma caminhada até à zona de 3 de Fevereiro, onde os passageiros apanham autocarros com destino à capital.
Entretanto, fazendo o ponto da situação no distrito, a administradora de Xai-Xai, Argelência Chissano, afirmou que a região, com cerca de 170 mil habitantes, regista aproximadamente 29 mil pessoas afectadas pelas inundações, sendo cerca de 15 mil na zona baixa e 14 mil em povoados sitiados. Ainda assim, sublinhou que “indirectamente, toda a população está afectada”, acrescentando que o impacto das chuvas foi “acima do que o pico do ano 2000”.
Para responder à situação, o distrito criou três centros de acolhimento.
“Começamos por abrir o primeiro centro na no dia 19, que foi a data em que a cidade baixa começou a ser fustigada pelas inundações, a população, felizmente, colaborou bastante, as pessoas saíram, mas como sabem, há sempre um e outro que lá fica e depois pede a nossa intervenção”.
Segundo a administradora, foram registadas operações de resgate, embora “não na mesma magnitude que Chókwè e Guijá, mas tivemos também várias situações de resgate”.
Sobre a existência de bairros incomunicáveis, Chissano esclareceu que, dentro da cidade, não se registam situações graves, mas no posto administrativo de Nguluzana existem quatro povoados sitiados.
“Dentro da cidade não, mas no posto administrativo de Nguluzana temos lá quatro povoados que estão sitiados, portanto um não comunica-se com o outro, mas deixa-me dizer que não é porque as populações estejam em perigo extremo, o que acontece é que estão algumas ilhas”.
“A verdade é que temos uma povoação ali, que é Salvador Alende, com algumas casas alagadas, mas, felizmente, naquele povoado, a maior parte das residências estão em cima, então, todas aquelas casas alagadas, as famílias encontraram abrigo nas famílias que estão em cima”.
A governante acrescentou que informações do chefe do posto indicam que a água “baixou bastante a nível dessas casas e continuam a baixar”.
Por seu turno, o delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) em Gaza, Jeremias Mazoio, afirmou que o troço Xai-Xai–Zandamela da EN1 apresenta dois cortes, identificados através de um sobrevoo com recurso a drone.
“Neste momento, uma vez que ainda há uma corrente de água forte, só podemos monitorar. Estamos aqui a monitorar o nível das águas e notamos que ela vai baixando gradualmente”.
Para evitar acidentes, a polícia foi mobilizada para impedir a travessia no troço interrompido, salvaguardando a vida da população.
(AIM)
XM /sg
