Torres de transporte de energia continuam parcialmente submersas devido as cheias na província de Gaza
Chibuto (Moçambique), 31 Jan (AIM) – As inundações que afectam o distrito de Chibuto, na província de Gaza, obrigam a população a atravessar cerca de 7,5 quilómetros de água para circular entre a sede do posto administrativo de Alto Changane e a localidade de Maqueze, ligação que actualmente depende de apenas uma embarcação.
A situação é agravada pelo défice de meios de transporte fluvial. O distrito dispõe de apenas uma única embarcação, utilizada tanto para operações de pronto-socorro como para o transporte de alimentos aos centros onde se encontram pessoas deslocadas. Em alternativa, alguns particulares recorrem a canoas, muitas vezes sem cumprir os requisitos mínimos de segurança, disse à AIM a administradora do distrito de Chibuto, Cacilda Banze.
“Neste momento pedimos mais um barco para alocarmos a esse lugar, porque as pessoas acabam ficando quatro horas dentro da água contra todos os riscos. Neste momento que a água está a baixar em Xai-Xai, um barco vai passar para nós para alocarmos àquele lugar”, disse.
Enquanto se aguarda pela nova embarcação, um cidadão manifestou disponibilidade para ceder um barco a motor. Contudo, as autoridades distritais sublinham a necessidade de verificação prévia das condições de segurança.
“Um cidadão nos contactou e disse que tem um barco a motor e que gostaria de aloca-lo e nós dissemos tudo bem, desde o momento que cumpra as exigências porque pode colocar um barco a motor, mas não ter salva-vidas, quando a tendência é de correr e encher as pessoas na travessia”.
Com uma população estimada em 302 mil habitantes, o distrito de Chibuto contabiliza mais de 35 mil pessoas severamente afectadas pelas inundações, sobretudo nos postos administrativos de Malehice, Chibuto-sede e Chaimite. Entretanto, os postos de Alto Changane e Changanine passaram, a partir desta semana, a registar também um número significativo de afectados, estando ainda em curso o levantamento detalhado dos danos.
Na agricultura, as cheias já devastaram mais de 31 mil hectares de culturas, número que poderá aumentar à medida que decorre a avaliação nos postos recentemente atingidos.
O posto administrativo de Chaimite permanece praticamente sitiado, com várias zonas inacessíveis por via terrestre. Após cinco dias de isolamento, foi possível aceder a alguns pontos de trânsito com o abaixamento parcial do nível das águas.
O distrito registou igualmente dois casos de naufrágio de embarcações artesanais, envolvendo comerciantes que transportavam mercadorias para Maqueze.
“Felizmente, no primeiro barco conseguimos salvar todas as pessoas, mas no segundo desapareceu uma pessoa que até hoje não conseguimos recuperar e já damos como falecido”, disse a administradora.
As autoridades garantem que todas as pessoas que se encontravam em zonas baixas foram transferidas para zonas altas. Contudo, persistem dificuldades no abastecimento, uma vez que a população precisa de adquirir bens essenciais para a retoma da vida quotidiana, situação que expõe fragilidades na segurança alimentar nos postos afectados.
Estão em funcionamento oito centros de acomodação no distrito, onde é garantida alimentação, embora de forma insuficiente. Segundo a administradora, mesmo cidadãos com recursos financeiros enfrentam dificuldades em adquirir produtos básicos, devido à escassez nas pequenas lojas locais.
“No distrito tivemos cinco dias sem farinha e até agora a farinha que existe é um bocadinho difícil de encontrar, porque são poucos camiões que entraram para abastecer. O arroz também estava desaparecendo, mas neste momento tivemos a entrada de 30 toneladas que entraram para abastecer as lojas, vindo da cidade da Beira”.
“Chegaram também camiões de combustível. O distrito não tinha combustível, mas já entraram dois caminhões de combustível, então nos dois postos já temos combustível e temos alguma alimentação”, que também serve para abastecer o distrito vizinho de Guijá.
Cacilda Banze advertiu que a situação tem causado trauma na população e preocupação acrescida às autoridades locais, que, apesar de preverem cheias mais severas do que o habitual, não esperavam que atingissem proporções desta magnitude.
(AIM)
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