Edil da Matola, Júlio Parruque, fala durante a apresentação pública e consignação da obra de drenagem
Matola, 04 Fev (AIM) – O Conselho Municipal da Matola vai investir cerca de 10 milhões de dólares na construção de um sistema de drenagem de águas pluviais nos bairros de Mathlemele, Matibwana, Nkobe e Matola Gare, com vista a mitigar as inundações que, há vários anos, afectam milhares de famílias durante a época chuvosa.
“Estamos a falar de mais ou menos 10 milhões de dólares americanos no pacote total. Este dinheiro é para o povo moçambicano e os munícipes da Matola fazem parte desse povo”, disse hoje (04), no bairro de Mathlemele, o presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, durante a apresentação pública e consignação da obra.
Segundo o edil, o projecto é financiado com apoio do Governo de Moçambique, através do Ministério dos Transportes e Logística, e do Banco Mundial, no âmbito do Projecto MOV, após vários esforços do município para mobilizar recursos.
“O município trabalhou muito para defender esta necessidade. A drenagem é indispensável, mas é uma obra de engenharia complexa e cara, envolvendo especialistas, arquitectos, ambientalistas e consultores”, explicou.
Na ocasião, Parruque afirmou que a iniciativa simboliza o compromisso do município em responder a problemas estruturais que afectam os munícipes, sobretudo nas zonas mais vulneráveis às cheias.
“Estamos na semana do Dia da Matola, mas não temos espírito para festas. Celebramos no silêncio, com respeito por aqueles que sofreram e continuam a sofrer com as inundações. Estamos aqui para dizer que a obra já vai iniciar”, afirmou.
Durante o encontro, o presidente municipal apelou à participação activa das comunidades para garantir a qualidade e a celeridade da empreitada e assegurou que será privilegiada a contratação de mão-de-obra local, incluindo jovens e mulheres das zonas abrangidas.
“Esta obra também deve gerar experiência, oportunidades de trabalho e conteúdo local”, destacou.
As obras deverão iniciar no próximo dia 20 de Fevereiro, com o lançamento da primeira pedra, e terão uma duração estimada de oito meses. O projecto inclui ainda a remoção de algumas construções localizadas em áreas críticas de escoamento.
O sistema de drenagem terá uma extensão flexível entre oito e 12 quilómetros, partindo da bacia de Mathlemele, junto à escola local, passando por Matola Gare, até à intersecção com o sistema ferroviário, na zona do quilómetro oito.
Durante a sessão, vários residentes manifestaram satisfação com o projecto, mas também preocupações quanto à sua abrangência. Tatiana Persina, moradora do bairro Mathlemele há mais de 16 anos, questionou se todas as ruas afectadas serão incluídas.
“A nossa zona também fica completamente inundada. Gostaríamos de saber se seremos contemplados”, questionou.
Por sua vez, Celso Dionísio solicitou medidas de emergência enquanto decorrem as obras, afirmando que “temos mais de 500 famílias afectadas. Precisamos de máquinas e bombas para aliviar a situação”.
Em resposta, o edil garantiu que equipas técnicas estão a mapear todas as zonas críticas e que as preocupações da população serão incorporadas no processo de implementação, sublinhando que “Não estamos a fazer espectáculos. Estamos a trabalhar para dar respostas efectivas. Esta obra vai mudar a realidade destes bairros”.
Adicionalmente, Parruque anunciou a criação de um Gabinete de Recuperação e Transformação Urbana, destinado a reforçar a resposta do município aos efeitos das chuvas intensas.
“Este gabinete vai permitir que os problemas da época chuvosa não sejam esquecidos e que haja decisões baseadas em dados e estatísticas”, explicou.
(AIM)
SNN /sg
