Mineração ilegal em Cabo Delgado
Maputo, 17 Fev (AIM) – Redes organizadas de contrabando de rubis estão a intensificar o recrutamento de menores para actividades de mineração ilegal na área de concessão da Montepuez Ruby Mining (MRM), na província de Cabo Delgado, numa tendência que a empresa considera alarmante.
Segundo o comunicado, a MRM “observou um aumento preocupante no número de crianças recrutadas e exploradas por sindicatos de rubis em actividades de mineração ilegal” e regista “um aumento exponencial nas incursões na sua área de concessão desde o último trimestre de 2025”.
Actualmente, “uma média de 1000 mineiros ilegais são detectados diariamente na concessão da MRM, dos quais cerca de 300 são menores”.
A empresa alerta que a mineração ilegal expõe os menores a riscos extremos, explicando que “as crianças descem a poços ilegais feitos por elas próprias, com cerca de 12 metros de profundidade, e realizam escavações horizontais, criando labirintos subterrâneos instáveis, que podem desmoronar a qualquer momento, com consequências potencialmente fatais”.
Acrescenta que, “durante a época chuvosa, quando os solos ficam mais leves e escorregadios, o risco é ainda maior”.
De acordo com a MRM, “os sindicatos de contrabando de pedras preciosas recrutam menores – crianças com idades entre os 8 e os 17 anos – porque a lei moçambicana não prevê responsabilidade criminal para crianças”.
A empresa sublinha que “o acto monstruoso de enviar crianças para trabalhar nessas condições é uma violação flagrante dos seus direitos humanos”.
Investigações conduzidas desde 2019 indicam que os sindicatos de mineração ilegal estão bem organizados e são financiados por redes estrangeiras.
Segundo o comunicado, os financiadores e compradores incluem nacionais tailandeses, cingaleses e birmaneses, enquanto os recrutadores e intermediários provêm de países como Nigéria, Mali, Burundi, República Democrática do Congo, Tanzânia e Senegal.
Os operacionais são maioritariamente moçambicanos e tanzanianos.
O recrutamento é feito explorando a pobreza e o desemprego, com promessas de “fortunas na mineração de rubis”.
Em muitos casos, os mineiros ilegais são colocados em dívida com os sindicatos, sendo-lhes concedidos “empréstimos” para transporte, alimentação e alojamento.
Segundo a MRM, estas condições fazem com que muitos acabem presos na actividade, uma vez que “as pedras preciosas recuperadas pelos mineiros ilegais devem ser vendidas através do seu sindicato ‘patrocinador’”, recebendo apenas “uma fracção do valor envolvido”.
Como resultado, refere o comunicado, muitos mineiros ilegais, incluindo menores, ficam “efectivamente presos numa escravidão moderna”.
A empresa alerta ainda que a mineração ilegal está a exercer “pressão crescente sobre o tecido social e a estabilidade das comunidades locais”, contribuindo para o aumento do consumo de drogas e outras actividades criminosas.
A MRM afirma ter comunicado estas tendências às autoridades e apela a medidas mais firmes contra aqueles que “financiam, facilitam e incentivam o comércio ilegal de rubis moçambicanos”, que, além de colocar vidas em risco, priva o país de receitas fiscais provenientes dos seus recursos minerais.
(AIM)
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