Maputo, 09 de Set (AIM) – As acções de capacitação promovidas pelo Ministério das Finanças, através do projecto Conecta Negócios, continuam a transformar o tecido empresarial nas regiões Centro e Norte do país, tendo já abrangido 8.932 Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) nas províncias de Nampula, Tete e Cabo Delgado.
O esforço procura reforçar a capacidade de gestão, estimular o agroprocessamento e posicionar empresas locais nas cadeias de fornecimento dos grandes investimentos.
Os dados fazem parte do balanço preliminar das acções de formação e capacitação implementadas pelo projecto, destacando a aposta crescente no fortalecimento do sector privado e na criação de condições para a geração de renda e postos de trabalho.
Em entrevista à AIM, a assistente de Projecto da GOPA, provedora dos serviços de formação e capacitação nas regiões abrangidas, Esperança Bernardo, explicou que, até Outubro deste ano, o projecto já tinha formado 8.932 empresas em diferentes áreas de actuação.
“Já capacitámos 8.932 empresas”, esclareceu a representante da GOPA.
Do total, 7.189 MPME, equivalentes a 80,5 por cento, receberam formação em gestão integrada, área orientada para o reforço da organização empresarial, incluindo aspectos relacionados com a gestão interna e o cumprimento das formalidades legais necessárias ao funcionamento das empresas. Englobam o pacote das capacitações, áreas como empreendedorismo e marketing digital.
Outras 1.743 MPME, correspondentes a 19,5 por cento do universo capacitado, foram abrangidas por formações em agroprocessamento, com enfoque na redução das perdas pós-colheita e no aproveitamento dos excedentes agrícolas em regiões com elevado potencial produtivo.
Em termos de cobertura territorial, Nampula lidera o processo, com 4.045 empresas capacitadas, representando 45,3 por cento do total das empresas abrangidas pelo projecto. Deste universo, 3.325 empresas, receberam formação em gestão integrada, enquanto 720, equivalentes foram capacitadas em agroprocessamento.
Na segunda posição surge Tete, com 2.337 empresas capacitadas, correspondentes a 26,2 por cento do total. Deste número, 1.866 MPME foram abrangidas pela componente de gestão integrada, representando enquanto 468 receberam formação em agroprocessamento.
Em Cabo Delgado, o projecto alcançou 2.550 empresas até Agosto, o equivalente a 28,5 por cento do total das empresas abrangidas nas três províncias.
A intervenção na Província de Cabo Delgado assume particular importância devido aos desafios de segurança que afectam parte do território, mas também pelo potencial económico associado à presença de grandes investimentos nos sectores de petróleo e mineração.
De acordo com a fonte, as capacitações procuram reforçar a capacidade de actuação e o posicionamento das MPME perante as oportunidades económicas locais, criando condições para que os pequenos negócios possam participar de forma mais efectiva nas cadeias de valor geradas pelos grandes projectos.
De acordo com Esperança Bernardo, as acções de capacitação incorporam igualmente uma componente de género, procurando reduzir vulnerabilidades e ampliar a participação das mulheres nas oportunidades económicas existentes nas regiões abrangidas.
“Das 8.932 Micro, Pequenas e Médias Empresas capacitadas, 4.450 são compostas por mulheres e 4.482 por homens”, esclareceu Esperança Bernardo. Os números mostram uma distribuição praticamente equilibrada, as empresas constituídas por mulheres representam 49,8 por cento, enquanto as associadas a homens correspondem a 50,2 por cento do universo considerado.
Paralelamente às acções de capacitação, o Governo lançou a futura Vila das Pequenas e Médias Empresas (PME) de Topuito, no distrito de Larde, província de Nampula, uma iniciativa que prevê a criação de um Centro de Treinamento e Capacitação Empresarial.
A infra-estrutura pretende responder a um dos principais constrangimentos enfrentados pelas empresas e produtores locais, a insuficiência de capacidade técnica para transformar a produção local em negócios sustentáveis e competitivos.
A abordagem deverá contribuir para qualificar MPME, reduzir perdas pós-colheita, estimular o agroprocessamento e aproximar os produtores locais das cadeias de fornecimento da Kennmare.
Falando à AIM, a data do lançamento da primeira pedra da vila das PMEs, Dito Andela, especialista de infra-estruturas na Unidade de Coordenação do Conecta Negócios, explicou que a plataforma terá como uma das suas principais funções preparar empresas locais para responder às exigências dos grandes projectos existentes na região.
Segundo Andela, a iniciativa deverá funcionar como um espaço de treinamento, incubação e preparação empresarial, permitindo às MPME melhorar a sua capacidade de acesso às oportunidades geradas pelos investimentos em curso.
“Esta vila servirá para treinar essas empresas. O objectivo é dar-lhes condições para se aproximarem da cadeia de valor dos produtos e serviços procurados pelos grandes investimentos que ocorrem em Topuito”, explicou Andela.
(AIM)
Paulino Checo
