Alunos da Escola Primária. Foto de Carlos Júnior
Nampula (Moçambique), 01 Mar (AIM) – O governador da província de Nampula, no norte de Moçambique, Eduardo Abdula, lançou um vigoroso apelo dirigido aos pais para que se comprometam com a educação formal da rapariga, não permitindo nem facilitando uniões prematuras.
O apelo foi proferido na última sexta-feira, durante a cerimónia provincial de abertura do ano lectivo 2026, que culminou com a inauguração da Escola Secundária de Napacalala, no distrito de Anchilo, perante pais, governantes, líderes comunitários e centenas de alunos.
No presente ano lectivo, a província matriculou 1.140.945 alunas, de um universo de 2.300.234 estudantes que serão assistidos por 27.090 professores.
“Professores, líderes comunitários, pais encarregados de educação, directores de escola, directores provinciais, tirem um tempo de 5 minutos por semana, para cada um falar na sua comunidade onde tem influência, sobre o combate veemente contra a união prematura. Deixem as nossas crianças crescerem, desenvolverem-se física e intelectualmente, atingirem a idade para casar, para escolher o homem que quer e construir a sua casa”, apelou.
Abdula prosseguiu de forma muito informal: “ então eu peço, imploro, ajoelho-me perante os mais velhos que respeitem as nossas filhas, não as troquem por condições de vida” e concluiu o tema alertando que quem tenha conhecimento de casos dessa natureza que os denuncie junto as autoridades.
O governante reconheceu, entretanto, que existem enormes desafios no sector para que se alcance a almejada excelência e qualidade de ensino.
“ Persistem carências significativas ao nível das infra-estruturas escolares, como insuficiência de salas em algumas zonas, turmas numerosas e, por vezes, condições físicas que carecem de reabilitação e melhor apetrechamento. Há escolas que necessitam de mais carteiras, melhores condições sanitárias, acesso mais regular à água e à energia, didáctico adequado e espaços que favoreçam uma aprendizagem mais digna e estimulante”, anotou.
Sendo Nampula a província mais populosa do país, a procura por recursos humanos também pressiona o sector da Educação, exigindo maior disponibilidade de professores e equilíbrio no rácio aluno-professor.
Face a esta situação, Eduardo Abdula afirmou que o governo está a trabalhar no reforço do quadro docente, na optimização dos recursos existentes e na busca de uma gestão mais criteriosa, equilibrada e eficiente.
Segundo o governante, não é aceitável desperdiçar recursos humanos num contexto em que há escolas que necessitam de professores.
“Não podemos tolerar situações em que docentes, não estando afectos a funções pedagógicas relevantes ou a tarefas administrativas verdadeiramente indispensáveis, permaneçam sem leccionar enquanto continuam a auferir a sua remuneração como se estivessem no exercício pleno da docência. Todos os professores disponíveis, salvo os devidamente enquadrados noutras funções essenciais ao funcionamento do sistema, devem estar onde são mais necessários: nas salas de aula, junto dos alunos”, anunciou.
No que respeita ao livro escolar de distribuição gratuita, a província dispõe de 4.703.950 exemplares, dos quais 1.514.866 já foram entregues às escolas.
Actualmente, Nampula conta com 2.508 estabelecimentos de ensino, sendo 2.056 escolas primárias, 341 básicas e 11 secundárias.
(AIM)
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