Maputo, 01 Mar (AIM) – O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está a trabalhar com parceiros para garantir o arranque das aulas em escolas afectadas pelas cheias e inundações.
Trata-se de estabelecimentos de ensino que continuam a funcionar como centros de acolhimento, bem como daqueles que registaram destruição de salas de aula devido às intempéries.
A informação foi avançada este sábado (28) pelo porta-voz do MEC, Silvestre Dava, no programa “Linha Directa” da Rádio Moçambique, onde se abordava o arranque do ano lectivo 2026, previsto para a próxima segunda-feira (02).
Silvestre Dava referiu que sete escolas ainda funcionam como centros de acolhimento e 15 encontram-se sitiadas.
“Temos o recurso aos nossos parceiros que já disponibilizaram algum material que vai viabilizar o processo de ensino e aprendizagem enquanto as nossas escolas não estiverem disponíveis por conta das cheias”, disse Dava.
Acrescentou que, “portanto, são entre vários materiais, contamos com a provisão de tendas escolas para essas escolas sitiadas, escolas que são usadas até agora como centros de acolhimento, e também para as escolas cujas salas foram totalmente destruídas”.
O representante da Organização Nacional dos Professores (ONP), Américo Pedro, manifestou a expectativa de que o MEC ajuste os conteúdos académicos à realidade actual do país.
“Não basta só dizer que é para a deificação artesanal, é para aqueles temas, olhar muito para a deificação, nós temos que olhar muito pela qualidade, a assimilação daqueles conteúdos, é que nós esperamos que haja mesmo uma boa deificação, sem isso os professores ficam sem uma direcção certa, cada um vai dando a sua matéria da maneira”, afirmou Pedro.
Por sua vez, o representante do Movimento Educação para Todos, Leonardo Munguambe, defendeu a necessidade de adopção de um calendário escolar alternativo para abranger os alunos afectados pelas cheias e inundações.
“Isso tem acontecido várias vezes, nós vimos, por exemplo, o caso de Cabo Delgado, alunos fizeram exame em Janeiro, ou se não for em Fevereiro deste ano, então eles realizaram o exame devido a uma situação que estava se verificando naquele local, então é preciso que também o ministério traga um calendário específico para que esses alunos nessa situação não percam aquilo que são os conteúdos programados”, defendeu Munguambe.
Por seu turno, o psicólogo Assimo Shaguana alertou que o regresso às aulas poderá afectar o estado emocional de alunos e professores directamente impactados pelas intempéries.
“Porque aprender e ensinar exige de nós estabilidade emocional, tranquilidade e calma. Só o simples facto daquele aluno que tinha uma imagem da escola antes das cheias, agora quando volta, naturalmente que fisicamente a escola perdeu aquela sua imagem inicial. Isso pode dar um choque”, recomendou Shaguana.
“Então precisamos também que sejam garantidas essas condições administrativas, mas que as escolas, com parceiros que podem ser identificados no futuro, que tenham em conta também esta componente”, salientou.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG/sg
